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Uma das coisas que mais me surpreende ao trabalhar fazendo matérias sobre o terceiro setor é o desprendimento de pessoas para se dedicar ao próximo. Neste universo que forma uma verdadeira teia, encontramos pessoas de diferentes níveis sociais, mas que enxergam na figura do próximo uma maneira de conseguir ao menos mudar o mundo a sua volta. Na semana passada, quando participava de um evento tive a oportunidade de conhecer Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. O Rei do Futebol que há cinco anos empresa seu nome ao Instituto Pelé Pequeno Príncipe de Curitiba.
Noite de 19 de novembro de 1969 (quase uma década antes de eu nascer), o Maracanã estava lotado, com um público de 65.157 pagantes que foi assistir ao confronto entre Vasco e Santos, em jogo válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (correspondente ao nosso campeonato brasileiro atual).
Aos 33 minutos do segundo tempo o volante Clodoaldo lançou Pelé dentro da área, que foi derrubado pelo zagueiro do Vasco Renê. Pênalti. Pelé cobra com perfeição no canto esquerdo do goleiro Andrada, de nacionalidade argentina. Andrada, furioso, chega a esmurrar o chão. O gol deu a vitória de 2 a 1 para o Santos.
Consumada a cobrança do pênalti o estádio "veio abaixo" em emoção e foi inevitável a invasão do gramado pela imprensa esportiva. Até quem não era santista vibrou. Pelé, emocionado, é carregado pelos braços para o centro do campo e pede frente às câmeras: "vamos proteger as criancinhas necessitadas". Simbolicamente, o atleta do século ofertou naquele momento sua obra máxima. E não qualquer obra: o gol, que em nossa cultura traz consigo a força da alegria do povo.
Posteriormente, Edson Arantes do Nascimento engajou-se em campanhas educacionais tendo, inclusive, enveredado pelo caminho musical ao gravar a conhecida canção "ABC", cujo refrão defende: "toda criança tem que ler e escrever".
Pelé, ídolo das massas, tornou-se também embaixador para Ecologia e Meio ambiente (ONU,1992), embaixador da Boa Vontade (UNESCO,1993), embaixador para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco,1994) e durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso foi Ministro dos Esportes, entre os anos 1995 e 1998
Tive a oportunidade de ouvir esta história da própria boca de Pelé e assim conhecer um pouco mais sobre o Instituto que trabalha para descobrir métodos de diagnóstico e cura para doenças complexas da infância. Atualmente, a instituição tem 41 pesquisas em andamento que tratam de assuntos como câncer, terapias com células tronco, transtornos mentais em crianças e adolescentes, doenças infecto-contagiosas, entre outros.
O Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe foi inaugurado em 2006, sendo a única ação do mundo a levar o nome do rei do futebol como padrinho. Bom, não poderia ser diferente! Juntar a atitude de assistência, ensino e pesquisa de um Pequeno Príncipe como este de Curitiba e aliar isso tudo a imagem de um rei não poderia dar em outra coisa a não ser um sonho transformado em projeto.

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.





