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“Após terminar de cumprir sua pena de 13 anos aqui na penitenciária José Parada Neto em Guarulhos, Marcos Omena, mais conhecido como Dexter deixou estes portões para trás. Mas logo que chegou na rua percebeu que era hora de voltar. Desta vez não como detendo, mas como um empreendedor social e através da cultura resolveu dar sua contribuição para a reinsersão do preso na sociedade”. Foi desta maneira que iniciei a matéria que fiz na última quarta-feira. Para quem não conhece, Dexter formou, junto com Afro-X, o grupo 509-E, enquanto estava encarcerado. O primeiro disco foi gravado de dentro da prisão em 2000 e suas letras sempre criticaram o sistema que não recupera.
Foi com este pensamento que surgiu o trabalho do Instituto Crescer que utiliza a cultura como instrumento de reinserção social dos presos em regime semiaberto, por meio do projeto “Como vai seu mundo?”.
A ideia, do juiz da vara das execuções criminais da cidade, Jayme Garcia dos Santos Junior, surgiu quando ele soube que o sentenciado Dexter, foi transferido para a penitenciária, uma das quais é corregedor. "Conhecendo o trabalho de Marcos Omena, o Dexter, propus que ele desenvolvesse um projeto de reinserção. Junto com o Instituto Crescer, fizeram a proposta de oficinas de atividades culturais." O nome do projeto veio de uma das músicas do rapper.
No anexo da penitenciária existem cerca de 480 reeducandos. "Toda vez que desenvolvemos esse tipo de projeto, é sempre muito bem aceito. O próprio Dexter fala, em sua música, que na cadeia tudo é muito quadrado, do chão até o teto."
Todas as atividades são desenvolvidas dentro do complexo penitenciário e os participantes não recebem remuneração. Segundo Jayme, que é o juiz mais humano que já conheci na vida, a procura tem sido grande. “Qualquer iniciativa que oxigene a vida na prisão motiva os setenciados." A intenção do juiz é estimular a criatividade do preso para que ele possa ser reintegrado à sociedade.
“Quando a sociedade se dispõe a entrar no cárcere para mostrar ao sentenciado que ele tem outras opções, mostra na verdade que ele é um ser humano e pode ter uma segunda chance”, destacou.
É impressionante como existe um estigma muito grande dentro do sistema carcerário. Um dos presos me dizia que depois de passar pela cadeia a pessoal recebe um “carimbo” de ex-detento que leva para a vida toda.
Confesso que me surpreendi com o projeto e principalmente com o interesse dos presos. Ali, no pequeno espaço de uma capela, 80 homens, cada um com sua pena, compunham os mais diferentes tipos de músicas. As letras traziam mensagens de dor, pedidos de perdão, saudade, arrependimento e principalmente sonhos.
Temos que assumir nossa parcela de culpa neste processo todo. Será que fazemos nossa parte para “produzirmos” um número menor de detentos? Enquanto estivermos construindo mais presídios do que escola, teremos uma resposta rápida. Ainda nos preocupamos mais com segurança do que educação e então, fica difícil de fechar esta conta!

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.





