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17/01/2012

O drama da Cracolândia

Esta semana, por dois dias consecutivos acompanhei o drama de adultos, crianças, idosos, homens e mulheres, muitas delas grávidas e que precisam de tratamento médico, pessoas de todas as idades, que antes se concentravam no Centro de São Paulo agora estão se espalhando pela cidade. Com uma conversa rápida é possível saber os inúmeros motivos que levaram e ainda levam pessoas à Cracolândia.

 

Ali, em meio a um batalhão de pessoas de perderam praticamente tudo na vida, conheci o projeto de uma igreja que há dois anos presta assistência às vítimas do crack. A casa fica aberta durante 24 horas por todos os dias da semana. As pessoas podem vir, comer, tomar banho e ir embora ou decidir se querem ficar e seguir para a internação. “O principal mesmo é trazê-los pela comida, mas oferecer para eles um abrigo, um refúgio, sair das drogas e ir a uma casa de recuperação”, contou Gerson Machado, missionário que coordena os trabalhos da Cristolândia.

 

A grande ajuda aos dependentes que vivem ali vem dos projetos religiosos. Um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que as igrejas são as que mais oferecem auxílio aos dependentes químicos da Cracolândia.

 

Todos têm acompanhado pela imprensa a operação que iniciou na semana passada para expulsar os usuários de drogas do Centro de São Paulo. Mas agora muitos perambulam pelas ruas e avançam para outros bairros. Muitos dependentes decidiram buscar ajuda nas tendas montadas no Centro da cidade pela prefeitura. De lá, são encaminhados para os serviços de saúde e de assistência. 

 

Se por um lado existe um trabalho maravilhoso das igrejas, Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa foi muito feliz ao fazer uma análise sobre o outro lado da epidemia de crack.

 

Luciano lembrou que no último domingo, a Folha de S.Paulo surpreendeu seus leitores com uma reportagem instigante, revelando que viciados de classe média contam com verdadeiros spas para consumir a droga, em locais que lembram as antigas casas de ópio da China. Com isso, o jornal ofereceu ao público uma visão mais ampla do problema causado por uma droga cujo vício tem raras possibilidades de cura e que se espalhou por todo o Brasil nos últimos anos. Enquanto as autoridades se concentram na região conhecida como “cracolândia”, o jornal descobriu que traficantes alugam apartamentos e casas em bairros de classe média como Vila Mariana, Paraíso e Bela Vista e fornecem a droga para quem queira se hospedar ali. A reportagem é resultado de um trabalho de seis meses de investigação, acontecimento raro no jornalismo brasileiro hoje em dia, e revela a sofisticação de um negócio criminoso que cresce e se consolida sob o nariz das autoridades. 

 

A matéria deixa claro que por melhores que sejam as intenções do governo municipal e estadual, sem uma política antidrogas eficiente, as autoridades continuarão ainda por muito tempo correndo atrás de traficantes, enquanto os financiadores se antecipam em suas estratégias de negócio. Eles lavam o lucro das drogas nos mesmos canais por onde passa o dinheiro da corrupção e dos crimes de colarinho branco. A faxina na “cracolândia” é apenas um pequeno contratempo para eles.

 

No trabalho com os dependentes, o poder público tem muito a aprender com as igrejas. E oremos para que Deus liberte essas vidas do vício e da escravidão das drogas. Para que mais igrejas se levantem dispostas a ajudar essas pessoas a se reintegrarem na sociedade e que as autoridades acordem de fato para um problema que se demonstra muito maior!

Danilo Manha

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.


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