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18/06/2011

Sustentabilidade

Há dois meses estou junto com a direção do Instituto Ressoar, o braço social do Grupo Record. Temos o “Programa Ressoar” na Record News todos os domingos às 19h. Sempre me interessei pelo assunto da sustentabilidade, mas nestas semanas, mergulhei a fundo no assunto, afinal, somos o braço da organização para isso. Tenho participado quase que diariamente de reuniões com presidentes de empresas e conhecendo inúmeros projetos relevantes, que tem mudado a vida das pessoas. O terceiro setor tem exatamente este poder, de transformar  vidas.

Embora a agenda ande cada vez mais extensa (o aprendizado compensa todos os esforços), continuo morando em Atibaia, onde temos o Jornal da Cidade e toda a vida familiar. Minhas raízes estão aqui, minha vida e as coisas que mais amo na vida. Por isso, toda vez que estou em um lugar e vejo um projeto, penso como seria interessante se ele estivesse inserido no contexto de minha cidade.

Confesso que não consigo entender, como com a proximidade com São Paulo, Atibaia consiga estar tão atrasada em tantos aspectos. Temos muitos projetos interessantes em desenvolvimento, mas muita coisa passa batido, pela falta de visão de alguns gestores.

Acredito que Atibaia deveria seguir uma tendência de muitas prefeituras que é ter uma gerência de sustentabilidade. O nome é bonito, dá matéria em jornal, mas o mais importante é que com um bom catalisador de projetos, é possível atrair interesses da iniciativa privada para realizar transformações importantes.

Na minha infância, costumava passar os finais de semana no Caetetuba, bairro que tenho um carinho muito grande e que seria um dos maiores cases em sustentabilidade que Atibaia poderia ter. Não vejo hoje uma atuação maciça do terceiro setor atuando com o respaldo do poder público naquela região.  Existem muitas pessoas bem intencionadas e projetos interessantes, mas que esbarram na falta de recursos.

Crianças carentes com alto risco de vulnerabilidade social e uma região com pouca presença do poder público formam o combustível necessário para a explosão social. Um giro pela região do Caetetuba de dia ou a noite é suficiente para observar que em determinados trechos a região se tornou uma versão em miniatura da cracolândia, onde o comércio de drogas e feito de maneira explícita em uma área com grande circulação de crianças e adolescentes. Também é um problema de segurança pública, mas pesa muito mais o social.

Vejo grandes empresas se instalando em Atibaia e a arrecadação aumentando a cada ano. É preciso que estas empresas sejam parceiras de projetos sociais, não apenas com migalhas abatidas posteriormente em seus impostos de renda. Mas que cada empresa caminhe na trilha da sustentabilidade. Se cada empresa adotasse uma pequena comunidade ou abraçasse um determinado projeto social, as coisas ficaram muito mais fáceis.
 
As grandes empresas podem criar seus próprios institutos para atuarem cada uma em sua área específica. Assim, o poder público faz sua parte, investe em saúde, educação, cultura e tudo mais. A iniciativa privada, também faz o seu papel, cuida das pessoas da cidade que lhe garante bons dividendos. Sustentabilidade é muito mais que uma palavra da moda é iniciativa!  
 

 

Danilo Manha

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.


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