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Linda e GabrielGanhou muito destaque o acidente que matou o jovem Vitor Gurman, que foi atropelado por um jipe Land Rover, quando caminhava na calçada da rua Natingui, de volta para sua casa na rua Girassol, na Vila Madalena, um trecho do bairro Pinheiros, em São Paulo. Vitor Gurman tinha apenas 24 anos e teve o grande azar de sair de casa, para ir à casa de amigos, a poucas quadras de sua residência, e encontrar pela frente um casal de bêbedos que dirigia o jipe Land Rover em alta velocidade, o qual capotou após atingir Vitor Gurman. O jipe era dirigido pela nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, 28 anos e agora já surgiu outra versão de que quem dirigia era seu namorado. Enfim, resolvi falar neste assunto pela sua repercussão e também para falar da impunidade e relembrar Atibaia de um acidente horrível ocorrido há 14 anos com uma criança.
Priscila tinha oito anos de idade, quando deixava o Parque Edmundo Zanonni com seus país e ao atravessar a rua Zeferino Alves do Amaral, foi atropelada por um jovem de 14 anos, que pilotava uma moto e deixou o local sem prestar socorro e em seguida, em uma atitude covarde, foi escondido por seus pais sob a alegação de que estavam preservando o filho. O mesmo lembre que sem habilitação, menor de idade, atropelou e não prestou socorro a uma criança!
Bem, a pequena Priscila deu entrada no Hospital Atibaia em coma, com fratura de crânio e seus pais, no desespero que qualquer um estaria, tentavam de tudo para que a filha sobrevivesse. Lembro-me de ter acompanhado bem de perto esta história, pois Priscila é minha prima, filha do Laércio, irmão de minha mãe e que há anos é motorista da Viação Atibaia.
O que mais me revoltou diante daquela situação e talvez, tenha sido naquele momento que eu tinha me definido pelo exercício do jornalismo, foi o descaso dos pais do jovem que provocou o acidente (vou usar a expressão jovem, para evitar processos, mas você amigo leitor, chame pelo nome mais apropriado este cidadão que omitiu socorro a uma criança). Era uma família na época, com certa influência na cidade, boa situação financeira, mas que no dia do acidente, simplesmente fez questão de desligar o telefone da casa e dar de ombros para a dor alheia.
Priscila seguiu internada e sua família tentando levar a vida. Lembro-me de ir com meu tio, que era motorista da antiga Maropina levar funcionários em uma empresa na Dom Pedro. Imagine você com uma filha em coma, tendo que ter cabeça para trabalhar e tentar seguir a vida, pedindo a todo momento que Deus guarde e permite que sua filha volte a vida.
Como Deus foi generoso, Priscila passou por uma grande intervenção cirúrgica em Bragança Paulista, pois a família de quem provocou o acidente na hora não teve a dignidade de arcar com as despesas de um hospital particular, para que a garota fosse melhor assistida. Priscila sobreviveu, cresceu, estudou e hoje leva uma vida normal. Sua família superou o trauma, levou a questão para a justiça e esperou o desfecho.
Agora fico imaginando que o julgamento de Deus é implacável. Como será que vive a família de um jovem que provocou tanto sofrimento a tantas pessoas? Como será que dorme um pai que incentivou a atitude covarde de um filho de se esconder e não prestar a devida assistência a uma criança? Como poderíamos chamar este tipo de atitude? Como você lidaria com uma situação como esta? Fica a questão aqui só para que casos como este não caiam no esquecimento e sirvam de exemplo contra a impunidade, hipocrisia e covardia.

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.





