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14/03/2018

Geração Nem Nem

 

O número de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam em 2016 cresceu no País, chegando a 22,5% da população dessa faixa etária. Sequer procuravam trabalho 14,4% dessas pessoas.A proporção dos chamados “nem nem” cresceu 2,5 pontos percentuais em relação a 2014 (20%) e 2,8 frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior porcentual em 2015: 27,4%.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 “É quase um quarto dos jovens, e os números mostram que o porcentual dos `nem nem nem’, que não estudam, não trabalham e não procuram trabalho, não varia mesmo em cenários diferentes”, aponta a analista do IBGE Luanda Botelho, referindo-se ao fato de que os “nem nem nem” terem representado 12,8% dos jovens em 2005.

“No caso dos `nem nem’, a piora do mercado de trabalho influenciou o resultado. Quando a economia piora, os jovens são os mais afetados e os que mais demoram a se recuperar.”

Por conta da maternidade e da maior dedicação a afazeres domésticos, o porcentual de mulheres não estudantes e inativas em 2015 era quase o dobro do que o de homens: 29,8%, contra 15,4%.

Em 2005, estas proporções eram 28,1% e 11,1%.Da população feminina de todas as faixas que não trabalhavam nem estudavam, 91,6% ocupava-se das tarefas da casa, incluindo aí os cuidados com os filhos.

Quando se comparam homens e mulheres que trabalham fora, a persistência da sobrecarga sobre elas quanto às atividades domésticas é evidenciada pelos dados do IBGE.

De 2005 a 2015, o número de horas semanais que os homens gastaram com esse tipo de atividade não se alterou: ficou em 10 horas.

Já entre as mulheres o dispêndio de tempo é o dobro disso, e, somada à jornada de trabalho fora, a jornada total semanal feminina é em média cinco horas maior do que a masculina.

A Síntese é feita pelo IBGE desde 1998. Esta edição utilizou números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 e do Censo de 2010, entre outras publicações, e trouxe dados relativos a demografia, famílias, educação, trabalho, distribuição de renda e domicílios. O objetivo da síntese é traçar um perfil das condições de vida da população.

Mas esta discussão precisa também avaliar que em primeiro lugar, há facilidade de se viver com os pais, sem preocupação com ter seu próprio espaço. É muito mais fácil continuar a morar com os pais, sem a necessidade de desembolsar dinheiro (e ficar sem ele), mesmo porque se o jovem não trabalha, vive às custas dos pais. Assim ocorre o assistencialismo similar ao Bolsa Família que se instalou nos lares.

Depois, vem a dificuldade de se conseguir algo rentável, ou pelo menos com um valor aceitável pelos jovens. Ganhar menos de um salário mínimo é tarefa difícil, “não dá para nada...”

E, por fim, há o futuro: mesmo que o jovem consiga a vaga, não existe uma garantia de que no futuro o mesmo continuará na mesma empresa, por decisão dele ou da empresa; assim, a perspectiva de futuro não é a melhor.

Mas o pior, em minha opinião, é a falta de garra, de ambição, da noção de que se deve lutar pelo seu futuro e não deixar essa responsabilidade na mão dos pais. Vejo jovens em casa, assistindo à televisão a tarde toda e ruminando ideias maravilhosas de novos aplicativos mágicos que tornarão a família toda milionária – o que, fatalmente, jamais irá ocorrer.

E o que fazer com esses jovens nem-nem? É uma questão interessante e importante. Entendo que devemos mostrar pelo exemplo o que fazer, e constantemente devemos chacoalhar essa garotada, provocar mesmo e fazer com que repensem suas vidas, tomem atitudes, definam metas e corram atrás. Não é tarefa fácil, mas possível; depende apenas de cada um de nós.

Nem nem
Danilo Manha

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestre em comunicação e repórter da TV Record.


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