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Esta semana tive a oportunidade de conhecer um pouco mais do trabalho da Fundação Dorina Nowill para Cegos que há 65 anos facilita a inclusão social de crianças, jovens e adultos cegos e com baixa visão, por meio de reabilitação, educação especial, programa de empregabilidade, produção e distribuição de livros e revistas acessíveis, que são distribuídas gratuitamente para pessoas com deficiência visual e para mais de 5.000 escolas, bibliotecas e organizações em todo o Brasil.
Na verdade tive mais do que a oportunidade de conhecer a Fundação. Recebi uma pauta para cobrir um curso gratuito de avaliação olfativa para pessoas com deficiência visual, ministrado por Renata Ashcar, autora de vários livros de referência sobre perfumes e curadora do Espaço Perfume Arte & História, em São Paulo. Neste curso, pessoas com deficiência visual tiveram a oportunidade de conhecer e identificar os mais variados cheiros. Flores, cafés, carnes, especiarias, frutas e tantas outras coisas que vemos todos os dias mais de fato não conseguimos enxergar.
A matéria começou o Largo do Arouche no centro de São Paulo, onde tive a visão coberta por uma venda e então iniciamos a matéria dentro do universo dos deficientes visuais. Impressionante a sensação de ter a cortina de nossos olhos fechada e iniciar atividades corriqueiras com muitas dificuldades. Como caminhar? Degraus! Rampas! É uma sensação muito complexa e de total reaprendizado.
Depois de tentar se integrar entre o grupo de 10 deficientes visuais, comecei a prestar atenção na aula de Renata em uma barraca de flores no Arouche. Com muita paciência ela explicava a origem de cada flor e posteriormente oferecia para que cada pessoa a tocasse e sentisse seu cheiro. Com a venda nos olhos é impossível contemplar a beleza das cores de cada flor, mas nem por isso elas deixam de ser belas. A delicadeza de suas pétalas e o cheiro de cada uma se tornam únicos. Fiquei impressionado ao ouvir uma jovem dizer o nome de várias flores sentindo apenas seu cheiro.
Saindo das flores, fomos em direção ao Mercado Municipal de São Paulo. Ao pisar na parte interna do espaço, já nos deparamos com um cheiro de frescor e um conjunto de cheiros que tornam o ambiente muito agradável. Na barraca de frutas, somos sentindo os sabores e com o tato, sentindo o formato de cada uma. Impressionante como uma laranja se torna muito mais saborosa quando é apreciada delicadamente. Assim como um pêssego e tantas outras frutas ali provadas.
Em seguida foi a fez de sentir o cheiro das especiarias. Temperos possuem cheiro forte e se tornam marcantes. Cada demonstração estimula uma parte do cérebro que te faz recordar de algum momento da vida onde você se deparou com aquele cheiro.
O curso tem como objetivo capacitar pessoas cegas e com baixa visão para seleção e avaliação de fragrâncias, para atuar num mercado em que hoje o Brasil exerce liderança mundial. O consumo de perfumes fez o mercado faturar US$ 6 bilhões em 2010, superando os Estados Unidos.
Entre os alunos, pessoas que já nasceram deficientes e outras que perderam a visão ao longo da vida. Mas todos superaram este obstáculo e hoje levam uma vida normal. Um dos alunos após o curso, deixou o mercado e seguiu sozinho em direção ao metrô, as 18h, com o trânsito caótico. Para ele aquele era mais um dia de vida. Para mim, um dia de grande aprendizado, onde a simplicidade da vida se revelou ainda mais importante. O simples fato de abrir os olhos de manhã e contemplar a luz de um novo dia já é um grande motivo para sorrir!

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.





