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Esta semana tive a oportunidade de viver duas situações extremamente opostas. Na última segunda-feira, foi votada uma homenagem que o vereador Pedro Maturana havia me oferecido. Não se sabe o motivo, mas dos onze vereadores, quatro votaram contra. Quando eu fiquei sabendo da votação por telefone, estava no edifício World Trade Center, no Brooklin, zona sul de São Paulo onde eu participava de um evento promovido pelo Instituto Ressoar que recebeu artistas e empresários para um jantar e leilão beneficente em benefício do Projeto Nova Canaã e do Instituto do Tratamento do Câncer Infantil (Itaci).
O evento terminou tarde, quase duas da manhã e quando retornava para Atibaia com a estrada vazia, comecei a pensar na vida. As lembranças, os sonhos e também as conquistas. Por incrível que pareça, cheguei à conclusão que aquele título de “cidadão benemérito atibaiense” já não me servia mais. Permite-me o retorno aos tempos idos de minhas procuras, tempo em que o coração desejava, mas não saboreava o desejo e aos poucos fui descobrindo que embora meu coração esteja em Atibaia, eu não pertenço mais a ela.
Talvez este título me servisse quando em caminhava pelas madrugadas de Atibaia entregando jornais, ou os bairros da cidade tirando fotos de situações catastróficas. Mas sofrer de juventude é condição da alma humana de quem sonha com mais. Não com o mais financeiro, mas com o mais do aprendizado, do conhecimento e da eterna procura.
Eterna procura que me levou aos lugares mais distantes deste mundo, permitindo com que eu tivesse contato com realidades nunca imaginadas. Permitiu que eu lidasse com os extremos da vida: O luxo e a miséria. Levou-me a campos de refugados onde pessoas vivem sem uma pátria e a pessoas que vivem em suas pátrias sem que as tenha de fato.
Na segunda-feira, quando quatro vereadores entenderam que eu não era merecedor da honraria, eu estava na organização de um evento que reuniu mais de cem representantes do WTC de todo o mundo que contribuíram com os arremates e celebraram o encontro anual do grupo. Nesta mesma noite mais de trezentos mil reais foram arrecadados só com o leilão em uma grande corrente do bem que juntou pessoas de fato preocupadas em transformar o mundo em um lugar melhor.
Diante de tantos opostos que enfrentei nos últimos cinco anos, quando percorri mais de 300 mil quilômetros, passei a cultivar a simplicidade que me curou de ser grande. Este cultivo me deixou mais calmo, sem as ansiedades de antes. Continuo minha busca pelo conhecimento, mas esta busca está modificada. Eu quero aprender, mas não quero provar nada. Quero ser simples diante do que aprendo. Assim eu posso aprender dobrado. Aprendo para na esquecer.
Com este aprendizado diário, cheguei à plena convicção de que os quatro vereadores que votaram contrários, talvez estejam corretos. Não sou um cidadão atibaiense. Atibaia nunca saiu de mim, mas eu precise sair de Atibaia para levar a minha maneira de sonhar para muitos lugares por onde andei. E foi justamente nestas andanças que encontrei muitas pessoas unidas na mesma sintonia do bem e sonhando o mesmo sonho. E quando um sonho é idealizado por muitas pessoas torna-se muito mais fácil de virar realidade.

Danilo Manha é jornalista, radialista, pós-graduado em comunicação empresarial e gestão pública, mestrando em comunicação e repórter da TV Record.





