
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente
Existe uma inegável novidade para as eleições de 2012: uma parcela considerável da população mundial protesta nas ruas contra a miséria,corrupção, conchavos, bandalheiras, impunidade, empreguismo, destruição do planeta, especulação financeira, centralização da renda nos bolsos de poucos, dentre outros desaforos.
Esse movimento tende a crescer e ampliar suas bases, inclusive dentro dos Estados Unidos da América. Talvez possa até influenciar o resultado das próximas eleições. Nessa esteira, no Brasil, assistimos o efeito Marina Silva (ex-PV), enquanto candidata à presidência da República. Obeteve maravilhosos 20% dos votos. Ainda, aplaudiu-se a "faxina" da presidente Dilma nas entranhas do próprio governo.
E especificamente Atibaia? Ora, o município, no mais das vezes, reflete a conjuntura política do país. A constatação desse fato se faz através da análise singela dos resultados eleitorais das últimas décadas.
Na contemporaneidade diversos candidatos ensaiam os primeiros passos visando à cadeira maior o Paço Municipal. A situação, representada pelo atual prefeito José Bernardo Denig (PV), traz na algibeira diversos outros postulantes, dentre ao quais a Fernanda Montezuma Tricoli (PV); Luís Fernando Pugliesi (PV); Ismael Fernandes (Dentinho - PSB) e o vice-prefeito Ricardo Antônio dos Santos (PT).
Na oposição frontal e direta encontra-se apenas o empresário Sérgio Mantovanini (PSDB, ex-PMDB). Há também os candidatos que correm “por fora”, a exemplo do promotor público Arthur Migliari (PHS), de perfil independente. O Emil Ono (PTB) e do Saulo do Gás (PSD) colocam-se como candidatos da “terceira via”. Os vereadores Dedel (DEM, ex-PV) e professor Wanderlei (DEM, ex-PDT), pretendem não só criar um novo espaço político, como também se transformarem em “plano B” de outras forças.
Na coxia do tabuleiro encontram-se o deputado estadual José Roberto Tricoli (PV), o deputado federal Roberto Santiago (PSD, ex-PV) e o deputado estadual Edmir Chedid (DEM), com domicilio eleitoral em Atibaia, Piracaia e Bragança Paulista, respectivamente. Porquanto, em face da legislação eleitoral, só o Beto Tricoli poderia postular a prefeitura atibaiense em 2012.
A coligação entre o Partido Verde, Partido dos Trabalhadores e Partido Socialista Brasileiro, carece definir um nome comum. A tarefa não é fácil.
Especula-se em torno da iminente divisão do grupo. O atual prefeito, desgastado pelas enchentes do Rio Atibaia e perpetuação do PV no Poder, os adversários apostam que Denig desiste da reeleição, assim que se encontrar uma saída honrosa para todos.
Mas, apesar das dificuldades, o PV, PT e PSB, tendem a caminhar junto, por necessidade. A força da caneta do prefeito não prescinde da força eleitoral do deputado Tricoli. A divisão poderia ser fatal. A ex-primeira dama Fernanda Montezuma (PV), Luís Fernando Pugliesi (PV), disputarão a vaga com Denig. Fernanda beneficiar-se-ia do efeito Dilma (a hora e a vez das mulheres) e do apoio do marido, tido como imbatível em todos os Poderes da República. Poderá ser a vice numa chapa negociada e assumir a prefeitura 2 anos depois. Luís Fernando é um empresário "ficha limpa", com boa penetração nas elites.
Os partidos PT e PSB, à sombra do PV, perderam a identidade ideológica e programática. As candidaturas do Ricardo Antônio dos Santos e do Ismael Dentinho, respectivamente, somam, pois grandes dificuldades. Tudo indica que apoiarão, em qualquer circunstância, o candidato indicado pelo do PV. A coligação PV, PT e PSB domina a micro (cartorial) e a macro (programática) política, com competência, enquanto os adversários, até agora, praticaram apenas a micro articulação, porquanto em significativa desvantagem.
Constata-se, por outro lado, que ninguém apoia todos os postulantes ao mesmo tempo. As divergências são muitas. Os subgrupos mantêm mágoas recíprocas. A potência total da coligação depende, portanto, da superação e da boa vontade generalizada. O PP de Mauro Antunes, por exemplo, apoia o prefeito Denig, mas não apoia o PV incondicionalmente.
A chave da candidatura do empresário Sérgio Mantovanini encontra-se na escolha do candidato a vice-prefeito. Carece de alguém com perfil jovem, acreditado, capaz de tratar as questões da macropolítica com desenvoltura, (corrupção,impunidade, empreguismo, crise econômica, desenvolvimento, educação, saúde, urbanização, tributação injusta, tráfico de entorpecentes, emprego, transporte, habitação etc.). A tarefa seria a de conquistar voto novo, progressista, num universo estimado em 20% ou mais do eleitorado (efeito Marina Silva), hoje órfão, por decepção com a práxis dos políticos e governos municipais passados.
Ao contrário, a escolha do candidato a vice-prefeito, via critérios de quantidade (IBOP) pode ser pouco eficiente. O eleitorado de um pode ser o mesmo do outro, com somatório duvidoso.
Sérgio (PSDB) se fortalecerá com o aditivo FHC, Mário Covas, Serra e o governador Geraldo Alckmim, que sempre tiveram votação esmagadora em Atibaia. Basta entender e praticar os modos do carisma peessedebista. Se desvendar, com ajuda do vice, o enigma da popularidade da Marina Silva e Dilma Rousseff tornar-se-á imbatível.
Sérgio certamente explorará os pontos negativos das administrações Tricoli e Denig, dentre os quais o excesso de empregos em regime de confiança (sem concurso), o loteamento político pelo sistema de cotas partidárias, aproximação com lobistas (Sandro Saad), canalização de córregos, aprovação de megaloteamentos, parcerias público-privadas discutíveis, maquiagens urbanas eleitoreiras etc.
O candidato Arthur Migliari (PHS – Partido Humanista da Solidariedade, ex-PTC e ex-PPS) até agora não se apresentou como uma alternativa qualitativa, em contraposição aos políticos tradicionais. Disputar os mesmos votos é tarefa impossível. Carece de um perfil direcionado ao eleitorado descontente com os rumos da política local como um todo, para obter uma boa votação, que sirva de base para as eleições de 2016. Arthur é o único até agora a assumir publicamente a candidatura a prefeito.
A expressão "Terceira Via" significa uma alternativa programática bem definida, colocada entre situação e oposição, isto é, nem Denig, nem Sérgio. Um terceiro nome para uma Atibaia melhor Os vereadores Emil Ono (PTB) e Saulo (PSD) propõem-se a tal. Uma arquitetura política que requer bons projetistas.
Parece improvável o surgimento de algum outro fato novo eleitoral em 2012,porém inevitável para 2016. Os eleitores protestam. A classe política passará por um profundo processo de transformação e reciclagem. Inevitavelmente, até lá o mundo será outro, bem diferente.
Quem será o novo prefeito de Atibaia, dentre Denig, Sérgio, Fernanda, Luís Fernando, Arthur, Beto, Ono, Saulo, Dedel ou Wanderlei? Um trabalho para as cartomantes e rezas de encruzilhada. Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte imponderável da vida política.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





