
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente
Estava à toa na vida, estalando os dedos ao ritmo da Banda do Chico Buarque, quando uma inexplicável letargia escarrapachou-me no sofá. Sonhei, acho que sonhei, imaginem, com o século mil e novecentos, findo a poucos anos atrás. Na verdade, pensando bem, trata-se de assunto afeito mais aos pesadelos. Digo na lata pesadelo, sem pestanejar, devido tratar-se o período de uma tragédia sem precedentes na história universal.
Pois bem, observo que as gerações ainda choram os horrores das guerras mundiais de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945. A primeira contabilizou 10 milhões de mortos e 30 milhões de feridos. No suplício das trincheiras os soldados padeceram de fome e doenças. Tudo em nome da conquista de novos mercados, politicamente fracos e submissos.
Na segunda grande peleja bélica, o fascismo italiano, liderado por Benito Mussolini, de braço dado com o nazismo de Adolf Hitler ( Eixo), pretendeu expropriar o petróleo da ex-União das Repúblicas Socialistas e Soviétícas (Chechênia), de diversos países do oriente médio, além da China (Manchúria). A ganância tingiu de sangue toda a geografia da ferocidade imperialista. Morreram mais de 30 milhões de seres humanos, entre civis e militares.
Paralelamente aos “malfeitos” maiores, assistimos estarrecidos a Guerra Civil Espanhola, o Holocausto, a bomba atômica explodindo em Hiroshima e Nagazaki, a guerra do Vietnã, a “guerra fria” e tantas outras desgraceiras de doer na alma. De quebra a revolução anti-capitalista, de 1917, nascida na Rússia. A morte rondou todos os espetáculos em cartaz.
E o Brasil, como se comportou diante das sanhas européia e americana? Na primeira grande guerra, o país era governado por Venceslau Brás Pereira Gomes, apoiado pelas oligarquias do “café com leite” (São Paulo e Minas Gerais). Não se enviou tropas a lugar nenhum. Assim, milhares de vidas brasileiras foram poupadas.
Na segunda grande guerra, o presidente-ditador Getúlio Vargas, que abocanhou o Poder, através da Revolução (golpe) de 1930, sob supervisão dos Estados Unidos da América, instalou o Estado Novo, inspirado na doutrina corporativista de Mussolini. Traiu, a contra - gosto, a ideologia nazi-fascista. Apoiou os Aliados. Verteria, como verteu, muito sangue verde-amarelo, independentemente da opção que apostasse.
O século 20 contabilizou ainda dezenas de outras lutas e revoluções dentre as quais: Revolta da Chibata (1910); Guerra do Contestado (1912/1916); Revolta dos 18 do Forte (Tenentismo 1922); Coluna Prestes (1923/1925); Revolta paulista de 1924; Revolução constitucionalista de 1932; Intentona comunista de 1935; Intentona integralista de 1938; golpe militar de 1964; Luta armada – guerrilha urbana e rural (1965/1972); Guerrilha do Araguaia 1967/1974.
O Estado brasileiro, como de praxe a qualquer tempo, interveio com violência brutal, promovendo prisões, torturas e a morte dos opositores.
Claro, não poderia ser diferente, Atibaia sempre se envolveu nos acontecimentos havidos além das divisas municipais. As vítimas serão eternamente lembradas. Delas nos ocuparemos em outras linhas e oportunidade.
Passado o efeito letárgico, preocupa saber que o presente século 21 anuncia percurso idêntico ao rastro de violência de ontem, ora regado a cruenta crise financeira e exaustão do planeta; que as ditaduras, com plumas de modernidade, voltarão para salvar a pátria; que setores públicos da vida brasileira ensaiam os passos do autoritarismo e que a segurança pública reinará a pleno vapor, a pedidos.
Por isso, lenços a postos que existem muitos conflitos em gestação, dispostos a novo derramamento de lágrimas de dor. Os motivos e as desculpas da turminha da concentração da grana na algibeira de meia dúzia de gatos pingados, se repetem impunemente, porque a memória coletiva é curta. A mídia encarregar-se-á de apagar tudo. Hitler e Mussolini ressurgirão das cinzas, recauchutados, portando armas “inteligentes”, a custo de trilhões de dólares. Os especuladores e traficantes agradecem.
Daí, já assistimos o filme, muitos filhos, netos e bisnetos da sociedade consciente morrerão ingloriamente nas batalhas por mudanças sociais e políticas urgentíssimas, em prol da sobrevivência da humanidade. A história se repete. Mas, apoquentem-se todos: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Eis a esperança!
E você caro leitor do ano 2050, que graça ou tristeza lhe trouxe estas constatações em letras do início do século 21?

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





