
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente
Era uma vez um ministro preocupado com as tempestades que assolavam o reino anos após anos. Os servos sofriam. A produção idem. As riquezas rolavam água a baixo. Como solucionar o problema?
A recordação dessa história me retornou aos bancos acadêmicos do largo de São Francisco e fez retirar do baú as célebres aulas do professor Ataliba Nogueira. Vira e mexe referia-se aos absurdos desacertos do tal governante.
O mestre Ataliba, titular da disciplina Teoria Geral do Estado, publicou “O Estado é meio e não fim”, obra cantada em verso e prosa pelos alunos de todos os tempos.
Monarquista, sempre defendeu a restauração do trono brasileiro, pertencente por direito aos Orleans e Bragança. Um dos componentes da família sangue azul, com porte de príncipe, fez o curso de Direito na década sessenta do século passado, na contemporaneidade dos meus passos universitários. Os nomes e sobrenomes do moço eram tantos que impossível guardar na memória. Lembro-me tão somente do Pedro, Manoel e Alcântara.
O professor cumpria protocolo especial ao tratar com o dileto discente. Ambos defendiam a ideologia com unhas e dentes. Acreditavam piamente na coerência e magnitude dela. Não era pra menos
Do alto das lições o mestre asseverou: “ (...) O Estado tem como limite de sua ação servir de meio para realizar o bem dos cidadãos. Esse é o seu fim natural. Não pode ele sobrepor sua burocracia para impedir a livre realização pessoal de seus cidadãos que têm direito à vida, à verdade, à prosperidade honesta e à segurança como pessoas, famílias, grupos, empresas, sem restrições e sem violências de grupos, nem falsidades ou tratamentos arbitrários (...). (Edição Saraiva, 1955).
Perfeito. Pena que os estadistas atuais cabularam essa aula. Não satisfeitos, jogaram o livro no lixo. Hoje a coisa pública migrou para os bolsos dos especuladores e dos senhores deuses da guerra. O povo que se dane!
Mas, retornemos ao título proposto para o artigo. As chuvas já apontam no horizonte do ano novo e ninguém encontra solução para a enchente dos rios e córregos que cortam a zona urbana do município. As opiniões “técnicas” batem cabeça e ninguém se entende. Enquanto isso, a dor humana e os prejuízos materiais se avolumam.
O transbordamento do rio Atibaia é um fenômeno natural perfeitamente previsível. Acontece desde que o mundo é mundo. Os rios cavam seu leito, demarcado a área máxima que ocupará ao receber uma quantidade de água superior ao costume. A várzea ou a área de segurança demarcam os extremos donde o rio passou e voltará a passar. Quem desrespeitar as leis da natureza será punido exemplarmente. Não acredite em impunidade!
A partir de 1970, Atibaia conheceu os moradores ribeirinhos, nunca dantes imaginados. Não se trata de invasores de alagadiços. Compraram legalmente lotes urbanos donde construíram suas casas. São milhares.
Retomo agora à frase de abertura do texto. Pergunto: que solução encontrou o ministro, diante das catástrofes que castigavam as terras do rei? Impotente para enfrentar as forças da natureza e com receio de ser chamado de inoperante, determinou que as tempestades fossem riscadas do calendário. Proibido tocar no assunto, Caso encerrado.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





