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13/12/2011

O pioneirismo na educação atibaiense

O processo educacional jeronimiano começa à época da colonização do Brasil, com o objetivo manifesto e confessado de moldar o povo indígena os interesses lucrativos do colonizador, impingindo-lhe uma cultura e uma língua alienígena.  Ensinar novos modos e crenças tornou-se um terrível instrumento de dominação. Os índios aculturados falavam com sotaque mascado, que até hoje se ouve o resquício nas esquinas da cidade e nas quebradas da zona rural.       

 

 

O Grupo Escolar José Alvim (1.905) transformou-se no primeiro marco significativo da educação formal. O sonho de José Alvim de Campos Bueno, o Nhô Bim, era o de agrupar as salas isoladas de ensino, tornando o aprendizado mais eficaz. O empreendimento reduziu sobremaneira o analfabetismo que grassava solto e sem porteira em todo o município. 

 

 

Depois dos quatro anos primários, os filhos das famílias mais abastadas eram remetidos para outros centros (São Paulo, Campinas) com destino ao curso ginasial, quase sempre em regime de internato (os alunos moravam na própria escola).

 

 

No final dos anos quarenta do século passado, César Mêmolo, proprietário do Hotel Estância Lince, liderou a construção do prédio do Ginásio Atibaiense S/A, destinado a alunos     que ali fixariam o novo endereço.   Atendia, de quebra, a minguados estudantes locais.   A inauguração do curso ocorreu em 1.948.

 

 

Logo depois, o governador Lucas Nogueira Garcês visitou Atibaia, e, a pedido da população e das forças políticas, incorporou o magnífico imóvel ao recém-criado Ginásio Estadual Major Juvenal Alvim (1.952).  Alguns anos depois se instalou o curso colegial, dividido em clássico e científico, hoje dito de segundo grau.

 

 

Mercê dos largos investimentos públicos e a excelência do ensino, os jovens atibaienses passaram a ingressar nos cursos mais concorridos da Universidade de São Paulo- USP (Medicina, Direito, Engenharia, Assistência Social, Geografia etc). 

 

 

O governador Lucas Nogueira Garcês, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade de São Paulo, nomeou prefeito de Atibaia o formando engenheiro Walter Engrácia de Oliveira, que construiu a primeira pré-escola do município, a EMEI Florêncio Pires de Camargo, inaugurada em 24/06/1. 952. 

 

 

Ainda nos anos 50, o professor João Pereira Dias empreendeu a Escola de Comércio Gertrudes Pires Alvim.   E, nos anos 70, criou a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis de Atibaia, antecessora da FAAT.                                                                            

 

 

Na legislatura 83/88 elaborou-se a primeira proposta pedagógica para a rede escolar do município (a educação não pode prescindir do trabalho dos educadores), visando à construção de um novo atibaiense (crítico, cidadão e preparado para o mundo das novas tecnologias). Inovaram-se também as escolas para alunos de três meses a três anos (CECOI), com preocupação nutricional e de estimulação dos órgãos sensoriais.

 

 

A criança que se mantém desnutrida até o segundo ano de vida, não mais se recupera.   Engrossa a taxa de repetência e a de evasão escolar.  Adoece com facilidade.  Lota os leitos da Santa Casa. Torna-se morador de rua. Adere à criminalidade, inclusive tráfico de drogas. Apresenta debilidade física e mental (tipos populares). Representa alto custo para a sociedade. Daí a necessidade da intervenção preventiva da Prefeitura no despropósito. 

 

 

A questão pode ser enfocada pelos ângulos humanitários e administrativos, vez que a proposta representa uma palpável economia indireta ao erário.

 

Nesse período as EMEIS (Escola Municipal de Educação Infantil) passaram a funcionar em período integral. Além do mais, instalou-se a primeira unidade de primeiro grau totalmente concebida, programada e mantida pelo município, também de período integral. Iniciou-se o transporte escolar. 

 

O lema “NEHUMA CRIANÇA SEM ESCOLA” levou à construção de sete novos prédios: cinco em parceria com o Estado, dentre as quais Carlos Ribeiro, Lobinho, João Antonio Rodrigues, e de outros com verba própria, tais como a EMEI do Imperial, o CECOI do Alvinópolis, bem como a ampliação dos já existentes e, ainda, à transformação de locais de uso diverso em sala de aula (Grega, Estação de Caetetuba).   

 

O supletivo de primeiro grau resgatou alunos que abandonaram os estudos precocemente.  A Universidade Popular de Atibaia UPA, em convênio coma Universidade de Brasília, e a Cidade da Juventude, propiciaram a abertura de cursos profissionalizantes. Aprendia-se uma profissão, nem sempre convencional, isto é, não destinada a postos industriais.

 

 

Infelizmente, pouco sobrou de todas essas árduas conquistas da sociedade.  O uso dos prédios escolares foi friamente otimizado,   em detrimento dos postulados educacionais,  trazendo graves  transtornos aos munícipes.  Muitos cursos foram desativados. A escola ficou longe dos alunos e das mães. A situação é grave. Por essa e por outras o Brasil pratica hoje uma educação classificada como uma das piores do mundo.  Os professores e alunos são as maiores vítimas.    Os traficantes a desgraça alheia  agradecem.    

 

Enfim, a história da educacional atibaiense registra preocupação no atendimento das necessidades de cada época, apesar da preconceituosa dicotomia contemporânea que insiste na construção de prédio e se esquece da qualidade do ensino. A rede física é concreta e pode ser inaugurada festivamente.  A construção do conhecimento é abstrata e quase sempre passa despercebida. 

 

Entretanto, não podemos nos esquecer (os políticos esquecem) que a Prefeitura Municipal não se resume na contabilidade de suas contas, nem num balcão de negócios e muito menos num pronto-socorro de automóveis, via obras viárias. Tem por objetivo atender as necessidades básicas do ser humano, máxime a educação.   

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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