
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente
Antemão declaro que não votei na Dilma, apesar de ter aprendido soletrar a política nos discursos de Leonel Brizola (PDT), donde a presidente nasceu para a política. Por que? Diga-me com quem andas e te direi quem és. Há que ser verdadeiro. De muito costumo separar o marketing político do trigo, pois de pão vive o homem. O circo alimenta o espírito, porém sempre alheio à fome que grassa pelas aí.
Pois bem, a presidente de todos os brasileiros (leia presidenta quem se lhe aprouver) viajou levando na bagagem a pecha de um governo corrupto e corruptor. Para livrar-se das perguntas embaraçosas, desviou o assunto para a questão dos direitos humanos. A mídia mordeu a isca, fincando pé nas angústias dos dissidentes, ainda proibidos pelos irmãos Castro de colocar a boca no trombone da liberdade de expressão.
Nova saia justa. A Dilma saiu-se pela tangente óbvia: “Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós, no Brasil, temos os nossos” (...) “ Se falarmos em direitos humanos em Cuba, vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui se chama Guantámano” e “Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político-ideológico.”
Claro, se atentarmos bem, observaremos que a mandatária conseguiu lançar uma cortina de fumaça, que deletou a palavra roubalheira. O bombástico pronunciamento promoveu forte impacto nas manchetes de todo mundo. Nem por isso deixou de ser intrigante. Qual a parte que nos cabe nesse latifúndio de violência? Ora, não é segredo que a segurança pública não distingue ou encontra séria dificuldade para diferenciar o pobre homem do povo dos bandidos perigosos. Na boca do forno o caso Pinheirinho, de São José dos Campos - SP. Isso já basta. A lista de atrocidades é longa e remonta aos tempos de Pedro Álvares Cabral.
Por outro lado é inegável que os Estados Unidos da América não respeitam a autodeterminação dos povos. Invadem o território alheio tal qual a casa da mãe Joana, em nome de lucros fantásticos (petróleo). A democracia made in Tio San destina-se apenas ao mercado doméstico. Além disso, os ricos conservadores (direita) conspiram até hoje contra o regime socialista cubano. A guerra fria ou militar, pretendem, continuará até o desmoronamento do último inimigo ideológico.
Mas, a viagem da presidente Dilma transcende aos preconceitos políticos, graças a Deus. Cuba se abre para o futuro aproveitando da experiência bem sucedida da China. O Brasil torna-se um grande parceiro de ambos os países. E o que isso significa? O ranking econômico nos coloca em 6º lugar, espantando a crise que ronda americanos e europeus. Temos tudo que os tais socialistas precisam em razão dos próprios desenvolvimentos. Vendemos comodities (produtos) e matéria prima estimados a bom preço. Importamos produtos manufaturados.
O Brasil está investindo em Cuba US$ 523 milhões de dólares, na ampliação do Porto Mariel, que se tornará uma dos maiores da América Latina. A obra está a cargo da patrícia construtora Odebrecht. Aliás, as negociações com Cuba iniciaram-se no governo de presidente José Sarney, na década de oitenta do século passado. ( A convite, este escriba integrou a comitiva quebra-gelo composta de deputados, prefeitos e secretários de Estado).
Entende-se, pois, o desespero dos dissidentes cubanos, liderada por Yoany Sánchez, que cada vez mais se distanciam do Poder e da primavera Castrista, apesar do apoio da mídia internacional.
A globalização inventada pela democracia neoliberal, em benefício de poucos, patinam na lama da corrupção especulativa. Promoveu crises. Os tempos são outros. Ouvimos no riacho do Ipiranga o vagido de um novo paradigma.
Post scriptum: aos eternos inconformados dedico a frase estampada nas avenidas de Havana durante a visita do Papa, em 1998: “ Esta noite milhares de crianças dormirão na rua. Nenhuma delas é cubana”. O Papa retornará ali em março de 2012, diante de idêntica realidade. Oxalá.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





