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06/06/2011

Alinhavos eleitorais para 2012

Os políticos já murmuram hipóteses nas esquinas, de olho na sucessão do prefeito e dos vereadores, no ano que vem. Apesar do sigilo das informações repassadas entre os articuladores dos diversos partidos, a política é sempre obvia. A decifração não exige prática, nem habilidade.


Os anais registram a clássica tirada do mineiro Tancredo Neves, falecido na condição de presidente da República eleito. Disse numa entrevista: "passo a noite inteira analisando e refletindo, antes de tomar uma decisão. De manhazinha, para meu espanto, leio nos jornais tudo aquilo que acabara de decidir".     


Aqueles que acompanham a evolução dos acontecimentos políticos, não encontram dificuldade para antever os fatos, inclusive o resultado das urnas, apesar de eletrônicas e à prova de fraude. A margem de erro dos analistas é mínima. As surpresas são raras. 


Pois bem, sempre existem pelo menos dois grupos políticos perfeitamente equacionados, fortes e competitivos. Ganhará a eleição um dos dois, independentemente da pluralidade posta em disputa. Os nomes emergentes também nada têm de misterioso. Os "prefeituráveis" nascem na  boca do povo. Dito assim, a questão começa a ficar mais clara. Surgindo uma terceira via, basta observarmos quem polarizará com quem. Na peneira sempre restam apenas dois candidatos com chance. Quem corre por fora, percorre uma distância maior, que exige muito fôlego.


A composição da Câmara de Vereadores sempre acompanha a tendência da eleição majoritária. A maioria se fará em torno do prefeito eleito. Porquanto, o burgomestre  elege os vereadores. A recíproca não é verdadeira. Talvez uma meia verdade O candidato a vereador, por defeito da legislação, tende a trabalhar apenas o próprio nome. Observe-se que nunca ocorreu de um derrotado postulante ao executivo eleger a maioria legislativa.


Entre os dois candidatos mais cotados, quem vencerá ? Também não é difícil saber. Basta vislumbrar quem tem a melhor postura e a melhor proposta, em razão da coletividade. 


O prefeito vencedor é aquele que apresenta as melhores propostas com identificação popular. Um bom começo são os programas partidários, quase sempre muito bem elaborados. Nada de se omitir diante dos problemas gerais e específicos da comunidade (educação, saúde, nutrição infantil, saneamento, transporte, habitação  dentre outros). O eleitor contemporâneo cada vez mais exige politização e preparo técnico.


O povo se identifica com as propostas progressistas, jamais com as conservadoras. É preciso entender o momento histórico. Para quem não acredita peço analisar os resultados das últimas eleições em qualquer município. 


A política precisa, pois ser praticada em bom nível. O clientelismo, paternalismo e assistencialismo às vezes acrescenta votos aos  candidatos a vereador. Porém, traduz-se em corrupção eleitoral. Pouco provável que essas práticas ajudem significativamente os postulantes ao cargo de prefeito.


(Claro que todos os candidatos acreditam encontrarem-se nessa situação privilegiada e, por isso, têm certeza da vitória. Diante da derrota encontram logo um culpado. Surgem acusações gratuitas até contra instituições  públicas).


Agora, se todos os candidatos em disputa revelarem  baixo nível, praticando a mão cheia personalismos e  clientelismos, aí então, o resultado das urnas transformar-se-á em loteria eleitoral, a peso de ouro. A circunstância, evidentemente, em nada contribui com as mudanças políticas que o Brasil reclama com urgência.

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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