
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente Início de 1500. A corrupção atravessou o Atlântico, com passaporte diplomático, instalada num camarote de luxo da esquadra de Pero Álvares Cabral. Ninguém duvida que o navegador se pôs ao mar com destino a Índia, para negócios com os países da Ásia, produtores de especiarias, isto é, o produto mais cobiçado da época. A idéia portuguesa era reduzir os custos da importação terrestre e, quiçá monopolizar, pela via marítima, o comércio do cravo, da canela e da pimenta.
A estratégia consistia em persuadir os vendedores, por bem ou por mal. Preparados para o que desse e viesse, os lusitanos carregavam baús com moedas de troca. Mas, não se enganem, em caso insensibilidade aos apelos da corruptivos, os fuzileiros da esquadra entrariam em ação. O intento seria alcançado pela violência. O final do filme se conhece: os portugueses acararam ludibriados e mortos. Salvou-se Cabral. Pero Vaz de Caminha não teve a mesma sorte,
Antes da desventura da Índia, Cabral aportou em terras achadas, hoje Brasil. Aqui deixou uma pitada de gente disposta a corromper os nativos com espelhos, miçangas e outras quinquilharias.
As investidas portuguesas, em busca de riquezas continuaram. A expedição de Martim Afonso de Sousa (1530), reuniu mais de mil homens amados, a procura dos tesouros indígenas. Desinformados, invadiram o estuário do Prata (Argentina e Uruguai) ao invés do Peru. Os poucos sobreviventes retornaram de mãos vazias.
A corte de D. João VI, instalada no Brasil em 1808, gerou muita corrupção, trazida dos hábitos portugueses. O povo recitava quadrinhas indignadas. “ Quem furta pouco é ladrão/Quem furta muito é barão/Quem mais furta e mais esconde/Passa de barão a visconde” ou “Furta Azevedo no paço/Targini rouba no erário/ E o povo aflito carrega/Pesada cruz ao calvário”. Alusão a Azevedo (visconde de Rio Seco) e Targini (visconde de São Lourenço). O Gregório de Matos denunciou em seus versos a corrupção e as ilegalidades praticadas nesse tempo.
No período imperial, Dom Pedro I não conseguiu criar um Estado íntegro e competente, apesar dos esforços do José Bonifácio de Andrada e Silva. Venceu o atraso rural de patriarcal, alicerçado no personalismo. Os políticos l não separavam os interesses públicos do privado, tal e qual as acusações contemporâneas contra o ex-ministro Pallocci.
A República também foi maculada pelos hábitos corruptos, tanto no período da proclamação (1889), como na República Velha, nas ditaduras de Getúlio Vargas e dos militares pós 1964. O retorno à democracia, liderada por Ulisses Guimarães (1988), não impediu o acesso dos ladrões ao poder.
A corrupção eleitoral se fez com o transporte massivo dos eleitores até o “curral”. Ofertava-se um pé de botina. O outro só depois o dever cívico cumprido, tudo regado a churrasco. O uso do marketing político transformou o candidato num produto e o eleitor em mero consumidor. Que dizer do “mensalão” , do dinheiro transportado na cueca e das contas bancárias no exterior?
Nos últimos 40 anos os escândalos envolvendo dinheiro público explodem diariamente nos jornais. Nunca um corrupto foi preso ou cumpriu pena carcerária. A Lei popular da “Ficha Limpa” até agora não produziu os efeitos desejados. Políticos jovens acanalharam-se, incentivados pela impunidade.
A corrupção torna o Brasil um país frágil e subserviente a interesses escusos. Agrada aos piratas e saqueadores da economia internacional. Impede a construção de um brasileiro livre, em condições de usufruir da boa educação e saúde. Inútil o combate da pobreza com programas paliativos.
Esse modelo, exaurido, não vai se perpetuar. A crise sistêmica generaliza-se pelos quatro cantos do mundo. O século XXI nos reserva grandes e promissoras surpresas. As mudanças têm pressa..

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





