
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente Sempre suspeitei das pressões midiáticas (televisão, rádio, jornais e revistas), no caso da extradição de Cesare Battisti. A negativa de entregá-lo ao governo italiano partiu do então ministro da justiça Tarso Genro, intelectual que reputo sério e competente.
Não entendia o porquê o todo poderoso primeiro-ministro Sílvio Berlusconi jogar todas as fichas no episódio. Transformou a querela “brasiliana” num fato de vida ou morte. Por que o exagero?
A explicação do desvario veio com o resultado do plebiscito realizado naquele país. As propostas defendidas por Berlusconi foram derrotadas fragorosamente. O governante tentou desesperadamente reverter a tragédia, sem sucesso. Antes já havia perdido eleições em Napoli e Bolonha, até então redutos conservadores. Sem nenhum pudor agarrou-se ao caso Battisti, travestido-se em defensor do brio do povo italiano.
Vale lembrar que as acusações que pesam contra o Berlusconi são muito mais graves que as atribuídas a Battisti. Aliás, a condenação criminal do ativista aconteceu à revelia, com base no depoimento dos companheiros, beneficiados pelo instituto da delação premiada. Trocando em miúdos, as “testemunhas” podem ter transferido a culpa pelos 4 (quatro) assassinatos em Battisti, para se livrar do processo e da prisão perpétua.
Um caso de extradição puxa outro. O governo do ditador Getúlio Vargas, apoiado pela mídia, entregou aos nazistas, a comunista alemã-israelita Olga Benário, tornando-a mais uma vítima do Holocausto. A prisão ocorreu no Rio de Janeiro, depois do vasculho , obsessivo, casa por casa.
Agora, quando se trata de bandidos de colarinho branco, assaltantes, criminosos de guerra ou ditadores estrangeiros a mídia tradicionalmente se cala. Nada denuncia. Por exemplo, o asilo de fato concedido a Ronald Biggs, em 1970. O inglês fugiu da penitenciária Her Magesty´s Service, depois de condenado pelo assalto a um trem postal, embolsando 2,6 milhões de libras
E tem mais. Alfredo Stroessner, sanguinário ditador paraguaio por 34 anos, acusado pelo assassinato de 15 mil opositores, viveu tranquilamente no Brasil de 1989 a 2006, quando morreu. Na mesma esteira Lúcio Gutierrez, ex-presidente equatoriano.
Lembram-se do Josef Mengele? Trata-se de um médico nazista responsável por milhares de mortes em experiências macabras e, ainda por genocídio praticado em câmaras de gás durante o regime de Hitler. E do sargento-carrasco Gustav Frans Wagner, jamais extraditado, que morou, suicidou-se e foi enterrado em Atibaia.
Ah! E do O Salvatore Cacciola, controlador do Banco Marka, que especulou as majorações do dólar no Brasil, causando prejuízos financeiros ao país. Condenado, fugiu tranquilamente para a Itália, onde nunca foi molestado, apesar de reconhecido nas arquibancadas das transmissões de futebol. Foi preso no Principado de Mônaco, por acaso.
O governo Lula (neoliberal de “esquerda”) concedeu asilo de embaixada ao presidente hondurenho Manoel Zelaya, deposto num golpe de trogloditas latino-americanos. A mídia brasileira, para variar, apoiou a violência dos assaltantes do poder. Instalou-se lá um regime de exceção, numa América Latina redemocratizada.
A mídia brasileira induz a vontade do povo, manipulando o ódio e o aplauso, segundo as conveniências do Poder. (A escola pactua quando não ensina o aluno a pensar). Trata desigualmente os adeptos das ideologias adversas. Olga Benário e o Cesare Battisti, por serem de esquerda, não fugiraam à regra. A ira desabou sobre sua liberdade de ambos.
Ora, qualquer punição de estrangeiros deveria ser sempre justa, ampla e coerente, livrando-nos da alcunha de país paraíso da impunidade dos mais fortes. A estabilização democrática não se constrói sob inspiração das Tábuas da Lei da Selva.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





