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06/07/2011

O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol

O nosso país não anda pelas próprias  pernas  desde o descobrimento das terras achadas por Cabral. Nasceu deficiente, mas  não precisa manter-se  rastejante  pelos séculos afora.

 

Para começar  pelos  primórdios, mais exatamente  no período “colonial”,  a Coroa Portuguesa apenas se  preocupou  em saquear as  riquezas tupiniquins,  para doá-las,   em boa  parte,  para a Inglaterra. 

 

Em 1808,  Dom João VI  fugiu pra cá trazendo na  bagagem   a camarilha  cortesã, instalando-se todos no Rio de Janeiro, com a gula apontada para a manipulação dos bens públicos   e  privados,  tudo por conta do  erário.  De quebra, refestelaram-se  na propina  oferecida pelos traficantes de escravos. (Aliás, a turminha do barulho  até hoje domina a  política).     

 

Durante o império, os governos juraram  em vão o santo nome da independência  e  tudo continuou como dantes no quartel  bragantino.  A roubalheira continuou   tal e qual, facilitando a  dominação estrangeira.  A dependência   à  Inglaterra  continuou intacta. 

 

A República do Marechal Deodoro acolheu de braços abertos  os políticos lesa- pátria.  Os coronéis   entraram de  corpo e alma na malandragem. E os  capitais ingleses continuaram a deitar e rolar.

 

Em 1930  os Estados Unidos da América  vencem  a Inglaterra na  briga   pela hegemonia dos negócios  com o Brasil.     O revolucionário-presidente Getúlio Vargas, ditador nas horas vagas,  submeteu-se incondicionalmente  ao novo patrão, a quem tanto ajudou a enriquecer.

 

A história caminha  nessa toada,  até que, na contemporaneidade, surge um o gigante asiático , que  afoga  a produção industrial  brasileira,  já   avariada pelos  impostos absurdos e o real valorizado.   As transações com a China, a preços módicos,  superam  as mantidas com os americanos e  com o Velho Mundo.  Tudo em silêncio,  sem golpe  ou  sangue derramado.

 

Esses  purgantes  são  conhecidos dos pacientes  seguidores desta coluna. Tenho-os  dito e repetido, à exaustão.

 

Eis que,  sem prévio aviso,  surge um fato novo na esculhambação geral.  Animada  com a  autonomia zero brasileira, surge no horizonte das especulações  esportivo-financeiras,  uma poderosa   entidade internacional. As garras afiadas  escolheram o Brasil para   sediar  a Copa do Mundo  de 2014,  meio a uma onda de denúncias de corrupção, que enlameou o  cenário político, de Brasília ao Chuí. De outra parte, chovem  denúncias  gravíssimas contra o presidente da Fifa. Imagino  cá com os meus botões, que pretendam  multiplicar o “mensalão por bilhões”, pela via rápida do dinheiro público.  O “Itaquerão” é um exemplo singelo. Lá se foram quatrocentos milhões de reais dos cofres da Prefeitura de São Paulo.
 

 

Não bastasse, o futebol europeu  trata  o Brasil como se  colônia ainda fosse. Importam a nossa matéria prima  que são os craques, para exibi-los nas arenas do “mundo civilizado”. Claro, proporcionando ao clube contratante  um faturamento milionário. Depois de algum anos, os Ronaldos, já obsoletos,  são exportados para  a província de origem.    A mídia se encarrega do “sucesso” da transação.    Os torcedores aplaudem. 

 

Enquanto os lobos  de todos os gêneros atacam impunemente o dinheiro do povo, o cordão dos indignados cada vez aumenta mais.  Logo ocupará as ruas. Depois,  não digam que não avisei. 

 

 

 

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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