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11/07/2011

O Itamar Franco

As referências  sobre os políticos quase sempre são constrangedoras.  A mídia não se cansa de denunciar  desmandos  e escândalos,  patrocinados pelo Poder de todos os níveis e escalões. Dinheiro,  aos bilhões,  saltam de bolso em bolso, embalado sob  a égide impávida  da impunidade.

Ninguém se salva?   Não se sabe se a lanterna de Diógenes afinal aluminou um homem  reconhecidamente honesto.  O fato em si não revela o fundo do poço.  A desgraça encontra-se mais embaixo.  Quem rouba o erário não liga para  os anseios do povo. Inventam necessidades, sob aplausos dos incautos  e, principalmente da corrupção  empresarial ativa.

Mas, ninguém duvide, toda regra  suja tem uma exceção Itamar Franco Ao contrário dos  ordinários  de plantão,  o ex-presidente da República, ora falecido, sempre   exercitou uma prática  governamental correta e competente. Governou o país  de  02/10/92 a 01/01/95.     

Não foi fácil,  nem florido.  O Itamar Franco sucedeu ao presidente  Fernando Collor de Melo,  que renunciou  o mandato para livrar-se do  impeachment  (cassação).  O ânimo  da malandragem,  nascida nos ventos uivantes  da  Casa da Dinda,  fez acumular   fortuna.  As conseqüências   não tardaram. Muitas mortes  mal esclarecidas aconteceram,  atingindo familiares do hoje senador Collor e do  famoso cabo-de-esquadra fujão, o  PC Faria.

      
A turminha do barulho perdera  o maior aliado, mandatário  do  posto  mais importante da República. O  povo  sentiu-se traído. A inflação corroia os salários.  O  delinquente  bloqueio das contas bancárias dos cidadãos deu com os burros da  economia n`água.

  
O mineiro Itamar Franco foi empossado. Logo, deu em chega pra lá no capital improdutivo (banqueiros).  Por vontade política, inteligência e honestidade de propósitos,  arregaçou as mangas  contra  a inflação e a alta  taxa de juros, então pressupostos do capitalismo selvagem.

O troco não tardou  Os inimigos,  todos anunciantes  das rádios, revistas e televisão, montaram um espetacular  esquema  difamatório  do presidente Itamar.  O achincalhamento não lhe poupou o  corte de cabelo, incapaz de dominar o topete. Inventaram a amante Lílian Ramos, fotografada nos palanques  de baixo para cima, ostentando nudez íntima.  Reportagens televisivas entrevistavam a vedete, enquanto  na expectativa de  uma suposta ligação telefônica  presidencial.


Em 1992,  os mentores da ditadura lamentavam o fim dos governos de exceção. Aproveitaram o ensejo  para chacoalhar a árvore da democracia atrás de frutos corruptos e autoritários. É que as ditaduras são sustentadas pela bandalheira.


Infelizmente,  o Brasil atual, repito incansavelmente,  combate a inflação  com salários baixos, juros altos,  impostos abusivos,  importação de dólares  especulativos, aumento do superávit primário e tantos outros desatinos. A propaganda midiática agora apóia  o governo, regado a escândalos diários de malversação do dinheiro público. O Congresso Nacional  aprova   as licenças para roubar. Por tudo isso  sinto saudades do presidente  Itamar.       

 

 

 

 

 

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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