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27/07/2011

Os milagres de Nossa Senhora da Consolação

Trata-se de uma Santa  hoje pouco  venerada  pelos os atibaienses.  Puxando pela  história,   resgataremos fatos  ocorridos  há    120 anos. (Peço não confundir com Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Bragança Paulista).

 

Prepare a sua religiosidade para as curiosidades  que  pretendo  contar.  A  rua José Lucas, das duas igrejas, ostentou antigamente  outros nomes. A atual  nomenclatura  homenageia  o cidadão   que no fim do século XIX  edificou o prédio do Grupo Escolar José Alvim, demolido   na década de sessenta do XX.

 

Antes  da designação oficial pela   edilidade, era o próprio povo que, senhor e possuidor  dos  usos e costumes,  batizava  as ruas e logradouros, inspirado pelas circunstâncias e   cenários.   Por isso, a velha e pioneira  rua, ora batizada    José Lucas, teve  denominação  anterior de   Direita  e da Consolação.

 

Os caminhos  que ligavam diretamente  a igreja à fonte d´água,  nas diversas Freguesias,  habitualmente eram batizadas  de   rua  Direita. Acredita-se  que os primeiros habitantes da nossa cidade, durante séculos, abasteceram-se  da atual   Fonte do Rosário. 

 

O nome  rua  da Consolação adveio de um nicho  sacro instalado  à  porta da residência  de  Albino José Barbosa, aproximadamente em  1886.  Ostentava  a imagem de Nossa Senhora da Consolação,  adorada  pelo povo. Dizia-se   milagrosa. A moradia  fazia esquina com a  hoje rua José Inácio, nas proximidades da Casa Paroquial.

 

As casas da urbe geralmente  traziam  no frontispício imagens santificadas. Eram  guardiãs espirituais  das famílias. A devoção, todavia, quase sempre não extrapolava o âmbito do próprio morador.

 

Não era o caso da Nossa Senhora da Conceição. Os transeuntes todos, diante da Santa,  benziam-se, ajoelhavam-se  ou  acendiam velas em agradecimento por uma  graça alcançada.
 

O tempo encarregou-se da demolição das edificações erguidas no centro  da cidade. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, um verdadeira relíquia (arte sacra do século  XVIII), foi retirada do prédio,  depois da morte do   José Américo de Oliveira Neto, o nhô  Tica, .

 

Onde  se encontra agora essa   imagem? A pergunta varou o século XX e alcançou o XXI. Em 1950, o escritor Waldomiro Franco da Silveira, publicou  uma  bem elaborada  “História de Atibaia”.  O texto alusivo  a Nossa Senhora da Consolação, páginas 357/360,   encerra-se assim:

 

“ (...) É o fim da história da Santa, tal  como ma contaram. Esta crônica serviu para esclarecer os seguintes pontos: Com quem está a Santa; de quem ela é propriedade, e finalmente a sua verdadeira idade (...).”

 

Mas, ao que se sabe, o misterioso  sumiço da Santa  continua,   apesar das conclusões do escritor  Waldomiro   A imagem se encontra na Igreja da Matriz, na do Rosário,  no museu João Batista Conti,  na posse dos descendentes do nhô  Tica  ou  na galeria de algum colecionador?  Quem   conhecer o paradeiro    revele-o aos   historiadores e católicos  contemporâneos.  Roga-se por  mais este milagre.  

 

 

 

 


 

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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