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Dois pesos, duas medidas
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O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
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O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
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Reflexões políticas para 2012
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Jogue o lixo no lixo
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Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente Trata-se de uma Santa hoje pouco venerada pelos os atibaienses. Puxando pela história, resgataremos fatos ocorridos há 120 anos. (Peço não confundir com Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Bragança Paulista).
Prepare a sua religiosidade para as curiosidades que pretendo contar. A rua José Lucas, das duas igrejas, ostentou antigamente outros nomes. A atual nomenclatura homenageia o cidadão que no fim do século XIX edificou o prédio do Grupo Escolar José Alvim, demolido na década de sessenta do XX.
Antes da designação oficial pela edilidade, era o próprio povo que, senhor e possuidor dos usos e costumes, batizava as ruas e logradouros, inspirado pelas circunstâncias e cenários. Por isso, a velha e pioneira rua, ora batizada José Lucas, teve denominação anterior de Direita e da Consolação.
Os caminhos que ligavam diretamente a igreja à fonte d´água, nas diversas Freguesias, habitualmente eram batizadas de rua Direita. Acredita-se que os primeiros habitantes da nossa cidade, durante séculos, abasteceram-se da atual Fonte do Rosário.
O nome rua da Consolação adveio de um nicho sacro instalado à porta da residência de Albino José Barbosa, aproximadamente em 1886. Ostentava a imagem de Nossa Senhora da Consolação, adorada pelo povo. Dizia-se milagrosa. A moradia fazia esquina com a hoje rua José Inácio, nas proximidades da Casa Paroquial.
As casas da urbe geralmente traziam no frontispício imagens santificadas. Eram guardiãs espirituais das famílias. A devoção, todavia, quase sempre não extrapolava o âmbito do próprio morador.
Não era o caso da Nossa Senhora da Conceição. Os transeuntes todos, diante da Santa, benziam-se, ajoelhavam-se ou acendiam velas em agradecimento por uma graça alcançada.
O tempo encarregou-se da demolição das edificações erguidas no centro da cidade. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, um verdadeira relíquia (arte sacra do século XVIII), foi retirada do prédio, depois da morte do José Américo de Oliveira Neto, o nhô Tica, .
Onde se encontra agora essa imagem? A pergunta varou o século XX e alcançou o XXI. Em 1950, o escritor Waldomiro Franco da Silveira, publicou uma bem elaborada “História de Atibaia”. O texto alusivo a Nossa Senhora da Consolação, páginas 357/360, encerra-se assim:
“ (...) É o fim da história da Santa, tal como ma contaram. Esta crônica serviu para esclarecer os seguintes pontos: Com quem está a Santa; de quem ela é propriedade, e finalmente a sua verdadeira idade (...).”
Mas, ao que se sabe, o misterioso sumiço da Santa continua, apesar das conclusões do escritor Waldomiro A imagem se encontra na Igreja da Matriz, na do Rosário, no museu João Batista Conti, na posse dos descendentes do nhô Tica ou na galeria de algum colecionador? Quem conhecer o paradeiro revele-o aos historiadores e católicos contemporâneos. Roga-se por mais este milagre.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





