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08/08/2017

No tempo da prefeita Maria José Silva Salgado

 

Os prefeitos de Atibaia eram nomeados pelo governador. Tomou posse, por um mês, a servidora Maria José Silva Salgado, a Cotinha, tornando-se a primeira e única mulher a ocupar o cargo. Depois, tomou assumiu o posto no paço municipal o médico sanitarista Dr. Oswaldo Urioste, ali permanecendo até agosto de 1949. O perfil exigido pressupunha um agente político capaz de fazer o diagnóstico das condições de saúde local, colocar os problemas dentro de uma ordem de prioridades, propor medidas e estimar os recursos necessários ao equacionamento e solução dos problemas, administrando as atividades correspondentes.

Nessa ocasião as forças políticas lideradas por Zezico Alvim e Álvaro Correia Lima não pertenciam aos quadros do Partido Social Progressista (PSP). Não gozavam de intimidade com o chefe da “Fé em Deus e Pé na Tábua.” Todavia ninguém se intimidou. Apesar de desprovidas de moeda política, as forças hegemônicas locais acudiram ao palácio dos Campos Elíseos com o nome do futuro chefe do executivo na algibeira. O Dr. Adhemar reclamou da ausência dos membros locais do diretório “pessepista”. 

O paulistano Alfredo Sant´Anna mudou-se para Atibaia no mês de julho de 1946. Procurou pelos membros do Partido Social Progressista. Não os encontrou. Desconhecendo os trejeitos da política provinciana, fundou o diretório do PSP e tornou-se presidente, num cochilo da política tradicional. Pode-se imaginar a sequência de fatos inusitados que se sucederam. Os “coronéis” dialogando com um jejuno. 

A propósito da prefeita Cotinha escreveu Juliana Gobbe:

“No ano de 1947, a pacata Atibaia vivia ainda sob o influxo dos acontecimentos do pós-guerra. Entre poeira e canções de rádio embaladas por Isaurinha Garcia, como, por exemplo, Prêmio de Consolação, com letra reforçadora da tutela implacável do homem sobre a mulher, e da indecisão deste em permanecer ou não com a amada, o povo confortava-se com o seu cotidiano (...) Cotinha nasceu em Atibaia em 24 de julho de 1906 (...) foi casada com Oswaldo Agrício da Cruz Salgado e não teve filhos (...) Cotinha residia na Praça Bento Paes, nº 108 (...)”. (Atibaia, 350 anos. Uma cidade, vários olhares, Coletivo Quatati, Editora e Papyrus Papelaria, 2015 - páginas 30 e 31.

O restabelecimento da normalidade democrática. A liberdade de imprensa. Nessa época, com a derrota do Nazismo e do Fascismo os ventos democráticos voltaram a soprar para os lados de Atibaia. O medo da ditadura se dissipava a contragosto dos correligionários da exceção. Podia-se agora falar livremente, escrever e editar novos jornais. Surgem “A Gazeta de Atibaia”, a “Tribuna do Povo” e “A Barroca”. O jornal literário “Tentativa”, editado por André Carneiro, a irmã Dulce e o César Mêmolo Jr., que ganhou foro universal. Integrou o movimento da “Geração de 45”. “O Atibaiense” publica críticas em linguagem “caipira” , assinada por Zé Tibaia. Os textos revelam intensa pesquisa da variante linguística da terra. 

 “ Eêêê...Tibaia. Foi memo de arrazá, a pestaiada de gente que se tiveram na Tibaia no dia de festa, inté parece que essa gente num tem outro lugá pra i, pois ovimo a turma fala nos bar, nas isquinas e dize que já tavam incomodano os atibaiano, pois donde se viu esse povaréo vim da Capitá. Tira a gafera no Hoté Rosáro, na Instânça, num falemo do Hoter Municipar, prédio da Prefeitura, e do São João, que água lá é manga de colete”.... (edição de 11 de novembro de 1945 – Protesto contra a invasão de turistas em desrespeito ao sossego da vida provinciana).

Os paulistanos não compreendiam o dito e ironizavam o sotaque mastigado do atibaiano. “Manga de colete” era uma expressão popularíssima usada em caso de escassez de alguma coisa. 

Compunha-se os textos publicados nos jornais letra por letra. Amarrava-se as hastes tipográficas de pé numa chapa. O anúncio publicitário fazia-se através de clichês esculpidos em metal, encomendados nas casas especializadas. A rotativa girava com a tinta pressionando a chapa sobre o papel. Imprimia-se a frente. Depois, repetia-se a operação para imprimir a parte interna. As folhas borradas eras descartadas. As edições só ultrapassavam quatro páginas nas ocasiões comemorativas. Finalmente o jornal era dobrado. A venda se realizava nas bancas ou na própria redação. 

Os simpatizantes do liberalismo, do comunismo, do integralismo, do fascismo e do nazismo já não precisavam renegar a origem ideológica. Antes disso, até a criançada repetia ditos rimados (versinhos) a caçoar os inimigos: “ - Alemão batata, come queijo com barata.”

A colônia Italiana não sofreu represálias.

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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