
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente Numa das edições deste prestigioso periódico, dediquei-me ao perfil dos políticos brasileiros . Claro, uma visão contemporânea, sem esquecer que os progressistas de ontem, não raro, tornaram-se os conservadores de hoje.
A título de exemplificação, no fim do século XIX (1800), a luta pelos ideais republicanos e o fim da escravidão , reclamava transformações profundas na sociedade. A República exauriu-se. Os conflitos agora são outros. As mudanças exigidas na atualidade, tanto quanto urgentes, nem sempre são do agrado de que tais.
Desta feita dou tratos ao eleitor, que, no mais das vezes, manifesta-se em razão direta do ideal político dominante. Ressalve-se que o povo esbanja sinceridade e os políticos nem sempre.
Os candidatos, de maioria personalista, centralizam as decisões em detrimento das propostas partidárias. Por isso, o eleitor não sufraga os partidos, mas a pessoa do candidato. Nem por isso o voto padece de conteúdo ideológico.
Nessa esteira, ouso afirmar que existem basicamente dois tipos de eleitores: conservadores e progressistas. Outros perfis apresentam-se na forma de subgrupos ou variações sobre o mesmo tema. O liberal ou neoliberal, de facetas diversas, são conservadores. A designação “esquerdista” e “direitista” não resiste a uma análise mais apurada.
Os conservadores desejam manter tudo como dantes no quartel general de Abrantes. Reagem contra qualquer tipo de mudança. Lutam pela manutenção dos privilégios conquistados. Muitos sequer aceitam pequenas reformas. Os projetos políticos são adjetivos.
Eternizam o século XX, com duras críticas aos modos do XXI. Professam, às vezes inconscientemente, a filosofia positivista (Augusto Comte). Utilizam critérios de quantidade. Defendem a democracia representativa. Fisiológicos, não se abalam com a corrupção. Esbravejam contra os “excessos” da Polícia Federal.
Concordam com a submissão do Poder Legislativo ao Executivo, através de cotas de Poder e emendas orçamentárias. Admitem um parlamento patrimonialista e sem iniciativa política. Não transigem com os movimentos populares, que devem ser sumariamente reprimidos. Propõem uma educação elitista, mera reprodutora de conhecimento. Disfarçam a cultura do preconceito racial. Calam-se diante da impunidade dos bandidos de colarinho banco.
Os conservadores arvoram-se em democratas, mas nas horas vagas defendem a ditadura. Entendem que os fins justificam os meios (Maquiavel). São falsos moralistas. Exacerbam a produtividade e o consumo, ignorando as questões ecologias . Argumentam que a causa da inflação reside no aumento dos salários.
Criticam as reformas propostas pelo presidente Barack Obama com o objetivo de adentrar os Estados Unidos da América no século XXI. Apóiam, sem pestanejar, as retrógradas iniciativas do Sílvio Berlusconi( Itália), Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) etc. Desdenham do principio da autodeterminação dos povos. Apoiaram a invasão do Iraque, Afeganistão etc.
Os progressistas, ao contrário, preocupam-se com o futuro da humanidade, atentos aos novos paradigmas. Desejam a transformação qualitativa da sociedade. Votam nas idéias e não nas pessoas. Defendem a democracia participativa. Propugnam por uma escola que ensine o aluno a pensar. Propõem uma educação produtora de conhecimento.
Lutam por uma reforma eleitoral efetiva. Apóiam as mudanças políticas positivas. Os projetos políticos são substantivos. Não votam nos candidatos “ficha suja” Vivem no século XXI. Repelem o modismo do consumo desenfreado, fomentado pela mídia (rádio, jornais, televisão). Priorizam, intransigentemente, a sobrevivência do planeta. Atribuem a inflação à pratica suicida dos especuladores. Indignam-se com o nepotismo, paternalismo, assistencialismo, clientelismo e o empreguismo.
Argumentam que a crise econômica, financeira e social que assola os Estados Unidos e a Europa é fruto de uma postura conservadora por parte dos parlamentares. Entendem que o sucesso econômico da China acontece por ser o único país do planeta, até agora, a realizar as reformas próprias do século XXI.
E você leitor identificou-se com os conservadores ou com os progressistas? Ou, entende que a virtude encontra-se no meio termo (conceito de Aristóteles “In medio stat virtus)? Diante da pluralidade de opções, há cidadão que um dia vota no cravo, noutro na ferradura.
Não se quer aqui catalogar o certo e o errado. Nem ser taxativo. Rogam-se aditivos e subtrações na lista de atitudes.. A preocupação do texto restringe-se ao rigor das coerências política e ideológica..

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





