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22/08/2011

O Perfil dos eleitores

Numa das edições  deste prestigioso periódico,  dediquei-me ao perfil dos  políticos brasileiros .  Claro,  uma visão contemporânea, sem esquecer   que os progressistas de ontem, não raro, tornaram-se  os  conservadores de hoje.

 

A título de exemplificação,  no fim do século  XIX (1800), a luta  pelos ideais republicanos  e o fim da escravidão , reclamava    transformações profundas na sociedade.     A República   exauriu-se.  Os conflitos    agora  são outros. As  mudanças   exigidas  na atualidade, tanto quanto urgentes,   nem sempre são do agrado de  que tais.     

 

Desta feita dou tratos  ao eleitor,   que, no mais das vezes,    manifesta-se    em razão direta  do ideal político  dominante.  Ressalve-se que o povo esbanja   sinceridade e os políticos nem sempre. 

 

Os candidatos,  de maioria personalista,  centralizam   as decisões em detrimento das propostas   partidárias. Por isso,  o eleitor não sufraga os partidos, mas a  pessoa do candidato. Nem por isso o voto  padece  de   conteúdo ideológico.  

 

Nessa esteira,  ouso  afirmar que  existem  basicamente dois tipos de  eleitores: conservadores e progressistas. Outros perfis apresentam-se na forma de  subgrupos ou variações sobre o mesmo tema.   O liberal ou neoliberal, de facetas diversas,  são   conservadores.  A designação   “esquerdista” e “direitista”  não  resiste a uma análise mais apurada.

 

Os  conservadores  desejam manter tudo   como dantes no quartel general de Abrantes. Reagem  contra qualquer tipo de mudança. Lutam pela manutenção dos privilégios conquistados.   Muitos sequer aceitam pequenas reformas.  Os projetos políticos são adjetivos.

 

Eternizam o século XX, com  duras críticas aos modos do XXI.  Professam, às vezes inconscientemente,  a filosofia positivista (Augusto Comte). Utilizam critérios de  quantidade. Defendem a democracia representativa.    Fisiológicos, não se abalam  com a corrupção. Esbravejam contra os “excessos” da Polícia Federal.

 

Concordam com a  submissão do Poder Legislativo ao Executivo, através de cotas de Poder  e emendas orçamentárias.  Admitem um parlamento patrimonialista e sem iniciativa política.  Não transigem com os movimentos populares, que devem ser sumariamente reprimidos. Propõem uma educação elitista,   mera reprodutora  de conhecimento. Disfarçam  a cultura do preconceito racial.  Calam-se diante da impunidade  dos bandidos de colarinho banco.

 

Os conservadores arvoram-se em   democratas, mas  nas horas vagas defendem a ditadura.  Entendem que os fins justificam os meios (Maquiavel). São falsos moralistas.   Exacerbam  a produtividade e o consumo,  ignorando as questões  ecologias . Argumentam   que  a causa da inflação  reside no  aumento dos salários.    

 

Criticam as reformas propostas pelo  presidente Barack Obama com o objetivo de adentrar   os Estados Unidos da América no século XXI. Apóiam, sem pestanejar,   as retrógradas iniciativas do  Sílvio Berlusconi( Itália), Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) etc. Desdenham do principio da autodeterminação dos povos. Apoiaram a invasão  do Iraque, Afeganistão etc.

Os progressistas,  ao contrário,  preocupam-se com o futuro da humanidade, atentos aos  novos paradigmas. Desejam  a   transformação qualitativa da sociedade. Votam nas  idéias e não nas pessoas.  Defendem a democracia participativa.  Propugnam  por  uma escola que  ensine o aluno a pensar.  Propõem  uma   educação produtora  de conhecimento. 

 

Lutam por uma reforma eleitoral efetiva. Apóiam as mudanças políticas positivas. Os projetos políticos são substantivos. Não votam  nos  candidatos  “ficha suja” Vivem  no século XXI.   Repelem o  modismo do consumo desenfreado, fomentado pela mídia (rádio, jornais, televisão). Priorizam, intransigentemente,  a sobrevivência do planeta.     Atribuem a  inflação  à pratica  suicida dos especuladores. Indignam-se com o  nepotismo, paternalismo, assistencialismo, clientelismo e o  empreguismo.

 

Argumentam que a crise econômica, financeira e social que assola  os Estados Unidos e a Europa é fruto  de uma postura  conservadora por parte dos parlamentares. Entendem  que o sucesso econômico da China  acontece por ser o único país  do planeta,  até agora, a realizar as reformas próprias do  século XXI.

 

E você leitor identificou-se  com os conservadores ou com os progressistas? Ou, entende que  a virtude encontra-se no meio termo (conceito de Aristóteles “In medio stat virtus)?   Diante  da pluralidade de opções, há cidadão   que um dia vota  no cravo, noutro na ferradura.

 

Não  se  quer aqui  catalogar   o certo  e o  errado. Nem ser  taxativo. Rogam-se aditivos  e subtrações na lista de atitudes..   A preocupação  do  texto restringe-se  ao rigor das  coerências política e ideológica.. 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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