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24/02/2018

As desigualdades e preconceitos desfilaram na avenida

 


 

O arrocho na vida do povovoltou com tudo. Vira e mexe uma “crise”enfia a mão no bolso do trabalhador. Mais umatransferência de renda dos pobres para os ativos bancários apátridas dos hiper-ricos..

Não é exagero. Ainda agora o governo Fora Temer flexibilizou a legislação dos obreiros sem consultar ninguém. Ganhou aplausosdo anjinho mau e severas críticas dos analistas canhotos. Não para aí. Uma nova ameaça paira sobre os portadores de carteira assinada: a leonina reforma da Previdência Social. Os marajás da República permanecerãoilesos.. 

Os protestos pipocam nas por todos os cantos, nem sempre distantes das bordoadas e balas raiadas da segurança, esta muito bem preparada para a guerra. As passarelas carnavalescas de 2018então se transformaram em palco seguro da resistência. Ninguém saiu ferido. Não houve confrontos, senão das ideias. Uma verdadeira democraciafantasiada com cabelos louros com trajes suíços..

Em Atibaia,o Bloco do IPTU fincou bandeira e faixa alusiva no largo da Matriz, meio aos folguedos vespertinos de Momo. Allah-lá-ôde marchinhas entoadas faz cem anos. Sucessos de todos os tempos.Os súditos da ordem e disciplinatentaram acabar com a folia dos contribuintes injustiçados. Em boa hora desistiram da truculência.

Tudo porque aprefeitura quis equilibrar a balança tributária aliviando a carga dos mais humildes, sacrificados há trinta anos com aumentos e correção pela hora da morte. Na outra ponta, até entãoprivilegiada, acostumada ao bem bom e barato, ao sentir o calibre da revisão dos cálculos, chiou em alto e bom som em ritmo do samba. 

Na quinta-feira de cinzas os componentes e figurantes da manifestaçãoocuparam o plenário da Câmara Municipal Atibaiana. A policia militar, ocupou o espaçoentre os munícipes e os edis (fato inédito) para inibir o bate-boca entre os prós e os contras. Tudo transmitido ao vivo pelaInternet.

Não se apoquente caro leitor. Durante aquaresma uma solução será discutida e aprovada. No Brasil, quanto mais se mexe, mais tudo fica sempre igual. 

 

O debate não se completou. As teses defendidasgiram apenas em torno dos critérios de fixação do imposto municipal. Os bairros periféricos existem em quantidade superiore por isso, em qualquer cenário, são responsáveis pela maior parte do bolo arrecadatório. Entretanto,os orçamentos, costumeiramente, não preveem um retorno maior para os menos favorecidos, aqueles que mais necessitam dos serviços públicos. Exige-se proporcionalidade na aplicação dos recursos, por medidade Justiça.

 

 Aliás,tocando o dedo na ferida tributária, quando as entidades religiosas e as ditas “ilegais” voltarão a pagar impostos calculados na movimentação dos ativos financeiros? 

Em São Paulo os carnavalescos criticarama situação política, econômica e social do país. Sobraramas cuecas e as malas de dinheiro sujo prestes às lavanderias universais.

No Rio de Janeiro as escolas de sambagritaram ao mundo o protesto do povo brasileiro.

A vice-campeã Paraíso do Tuiuti satirizou explicitamente o presidente Michel Temer, vampiro alegórico, responsável pela austeridade e arrocho das reformas neoliberais. O impacto dessa imagemassociada ao personagem Drácula sacudiu as telinhas do planeta.

O enredo “Meu deus, meu deus, está extinta a escravidão?” relembrou o aniversário de 130 anos da lacônica Lei Áurea, ainda nãorespeitada pela sociedade como um todo.

A escola Verde Rosasatirizou o Crivella através de um boneco de Judas com os dizeres “ Prefeito, pecado é não brincar o Carnaval”.

Acampeã Beija-Flor encerrou o desfile com motivos críticos à violência aliada incondicional da corrupção. Um Brasil Frankensteinvivido nas favelas cariocas. 

Pediu o fim das intolerâncias e dos ódios, em total apoioà comunidade LGBT, representada por Pablo Vittar e Jojo Todynho, estrelas da contracultura, que receberam milhões de aplausos em carro aberto e pela Internet. Pelo conjunto da obrarecebeu palmas de ouro até dos jurados.

 

Enfim, em plena tormenta política, o Brasil realizou um Carnaval altamente consciente dos males que afligem o povo. Não pouparamcríticas aos líderes neoliberais daqui e lá de fora. Criticou-se duramente acorrupção, a violência, a intolerância, batendo de frente com os limites impostos pela mediocridade reinante nestas plagas em pleno século dois mil.

A represália veio a cavalo. Noticia-se a criaçãodo Ministério da Segurança Pública, em detrimento da Secretaria de Direitos Humanos. Toda e qualquer repressãocentralizar-se-á no Palácio da República, como aconteceu nas permanentes ditaduras que assolaram a sanguinolenta História do Brasil. A alegria do Carnaval se mistura com a dor. Mas, a vontade é chorar...

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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