
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente O meu dileto amigo Renato Zanoni, em 2005, legou à memória atibaiense o livro “Atibaia no século XX”. Nesta semana li os textos e me encantei.
Por que só agora? Explico. Compareci no Museu Municipal João Batista Conti, no dia do lançamento da obra. Ágüem, de quem já não me lembro, emprestou o exemplar a mim dedicado. E, até hoje não mo devolveu. (Isso não se faz Arnesto).
Faz poucos dias contei o acontecido ao Renato que logo resolveu a questão. Ofereceu-me um outro volume, dentre os quatro que lhe restam. Trata-se, pois de uma obra esgotadíssima.
Renato Zanoni, escusado dizer, acompanhou o ilustre pai Edmundo nos misteres da agrimensura e da política. Experiência fantástica. Alem disso, anotou com letras aguçadas, o testemunho de parentes e importantes atores sociais de antanho. Tim tim por tim tim, sem perder sequer os senões.
De 1979 até 1982, percorri, em campanha política, a zona rural do município, ocupada naquele tempo por dois terços da população. Ouvíamos boquiabertos as muitas histórias do prefeito Zanoni, amado por todos.
No ensejo, penitencio-me publicamente em razão da crônica,salpicada de graça, que publiquei, tempos atrás, sob o título “A primeira festa do pêssego”. Ignorava que no dia da abertura da exposição, o prefeito da época, Edmundo Zanoni, encontrava-se gravemente enfermo.
Os episódios narrados no livro remeteram-me à infância. Revivi a inauguração do Posto Texaco, dos irmãos Fazzio, na rua Tomé Franco (1947). Da primeira Coca-Cola ninguém se esquece!
Renato me ensinou muito da história jeronimiana. Descobri, por exemplo, que, apesar da proclamação da República em 1889, pelo Marechal Deodoro, a Câmara Legislativa Atibaia exerceu funções executivas até meados 1930, isto é, quarenta anos depois. Prefeito? Neca de pitibiribas. (Eta transiçãozinha difícil, sô!)
Confirmei que, muito antes das represas da Usina e de Nazaré Paulista; dos loteamentos deitados em áreas alagadiças e do pleno assoreamento do Rio Atibaia, ocorreram enchentes em diversos janeiros, causadas simplesmente pelo regime das chuvas.
As enchentes (fenômeno natural desde que o mundo é mundo) desafiam os governos de Atibaia há mais de cem anos. O progresso fez multiplicar as edificações ribeirinhas, agravando gradativamente a tragédia urbana.
Transcrevo alguns trechos do noticiário da imprensa local, trazidos pelo Renato Zanoni: “ 1906 – Muita chuva. Chuvas torrenciais abatem Atibaia, estradas estão intransitáveis, o rio Atibaia está em cheia. Na estrada de Campo Largo a travessia é só a cavalo (...) Enchente(janeiro)-O rio Atibaia está transbordando, superando marcas anteriores, embora não chova mais, desce água das cabeceiras (...) Chuvas torrenciais (janeiro de 1947) -
Inacreditável o volume d´água que o céu desprende. O rio Atibaia já a dias bufou de suas barrancas, as estradas se transformaram-se em inferno para os motoristas.Nas várzeas o gado teve que ser retirado.Se o tempo continuar assim deteriorado, nas proximidades vai haver inundação, o trem vai interromper as suas viagens, como já tem acontecido (...) 1957 - Grande inundação(27 de janeiro) – Nesta cidade, o caudaloso rio Atibaia excedeu aos limites de suas águas, pondo em desabrigo muitas famílias que residem nas partes marginais do caudal.Como referência, na antiga estrada estadual que liga Atibaia à Bragança, nas proximidades da ponte, as águas subiram tanto que tornou-se necessário o uso de canoas para a travessia”.
A obra “Atibaia no século XX “, de Renato Zanoni, é, pois leitura obrigatória para os cidadãos conscientes, em busca de soluções. Aguardamos por uma inadiável 2ª edição. O mais rápido possível, senhores editores.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





