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03/04/2018

Por que não acreditamos nos políticos?

 

 

 

As primeiras décadas deste século vão desaparecendo no horizonte das incertezas. Um novo modelo econômico consolida-se no raiar de uma nova época. Atende pelo nome de neoliberalismo, com graves e penosas repercussões na sociedade e na política.. 

 

As crises se sucedem deixando um rastro doído e sem propósito. Não é novidade que dois terços da população mundial encontra-se na linha da pobreza ou abaixo, vítima de doenças, deseducação, violência e outras .aflições. 

 

O Brasil e Atibaia reproduzem essa dura realidade.

 

A recuperação do agonizante planeta Terra, a sobrevivência da vida como um todo, passa pela liderança e ação de políticos, nem sempre nascidas das urnas. Mas, por que, nunca se dispõem a defender os interesses e as necessidades inadiáveis da humanidade?

 

Os eleitores são induzidos a votar nos discursos eleitoreiros da TV, quase sempre falsos, proferidos por heróis fictícios. Resultado: os eleitos acabam na vala comum do mesmo naipe.

 

O voto consciente pressupõe conhecer a conduta real de cada postulante, os compromissos ideológicos e, principalmente, se o discurso de campanha corresponde a ação efetiva de todos os momentos. Os candidatos caem na tentação de afirmar uma coisa e fazer outra, como acontece a miúdo. Lobos com pele de cordeiro. Nesse caso, livrem-se deles.

 

A democracia representativa republicana produziu tipos diferentes de políticos, dentre outros, os conservadores, os populistas (messiânicos) e os progressistas (populares). (Os conceitos de esquerda e direita devem ser substituídos por conservadores e progressistas).

 

Os conservadores não suportam falar principalmente em mudanças políticas, sociais, econômicas. Tudo deve permanecer exatamente com se encontra. Os populistas simulam, em discursos eloquentes, defender mudanças, mas concordam apenas com pequenas e insignificantes reformas. Os progressistas lutam por transformações profundas e imediatas.

 

Como reconhecê-los? Qual o perfil?

 

Os conservadores defendem propostas e modelos envelhecidos e anacrônicos, moldados no liberalismos e suas metástases . Apoiam as ditaduras, a sociedade de mercado selvagem e a solução violenta para todos os males e problemas da sociedade. Colocam-se acima dos partidos políticos, estimulam o fisiologismo e o culto à personalidade. .Entendem que o eleitor ideal é aquele que vota nas pessoas e jamais em ideias. Contratam cabos eleitorais de profissão e compram tantos votos quantos necessários à vitória a qualquer custo. São adeptos intransigentes da globalização e centralização do poder.

 

Não dialogam. Apenas ordenam (manda quem pode, obedece quem tem juízo). Têm por lema: vale tudo, menos perder a eleição. Imitam os coronéis e os caudilhos da República Velha. Posam de latifundiários. Privilegiam os correligionários de aplauso fácil e vivem cercados deles (puxa-sacos). Perseguem e punem os opositores causando-lhes todo o tipo de prejuízo. Preferem as iniciativas individuais. Não toleram as manifestações coletivas e intervêm (corrompem) as organizações de trabalhadores.

 

 Praticam benemerências fotogênicas e alardeiam proteger os pobres. Mantêm seguranças (capangas) ostensivos. Dedicam-se a obras faraônicas e de custos milionários (pontes, viadutos, túneis, estádios de futebol) de interesse apenas das empreiteiras amigas. Mantêm depósitos bancários ilegais no exterior. Defendem e recessão econômica e os baixos salários. Jogam com os especuladores (os lucros justificam os meios). São proprietários de rádio, jornais, revistas e canais de televisão, que diuturnamente elogiam e fotografam o dono.

 

Utilizam-se de propaganda enganosa. Inundam a Internet com Fakes News. Estão convencidos que a educação e a saúde provocam despesas inúteis. Confundem moralidade com os preconceitos que cultivam. Pouco se importam com epidemias, endemias, preservação do meio ambiente e poluição. Desconhecem a força das medidas preventivas positivas. O bem público se transforma em mercadoria 0 bem público se transforma em mercadoria e os governos em balcão de negócios. Asseveram que o mundo está no caminho certo.

 

Os políticos populistas são adeptos das medidas paliativas. Usam os serviços públicos assistenciais para promoção pessoal. Distribuem passagem de ônibus, bancam receitas médicas, não se preocuparem seriamente com os excluídos. Maculam o juramento das próprias profissões, transformando-as e instrumento eleitoral.

 

Discursam falso humanismo. Exaltam a participação popular, sem acreditar nela. Manipulam as reivindicações dos trabalhadores. Propiciam as maquiagens urbanas, principalmente nas avenidas de grande movimento de veículos e pedestres. Dizem-se ecólogos e agem. Apenas dizem. . Canalizam os córregos e permitem o abusivo parcelamento do solo (desmatamento, assoreamento de córregos e rios). Ignoram a tragédia revelada pela taxa de mortalidade infantil (TMI). Admitem reformas e mudanças não significativas, desde que preservem os interesses pessoais dos poderosos. São submissos. E daí pra frente.

 

(Os políticos messiânicos, são populistas dotados de forte carisma. O povo os apoia de maneia sectária, cega e incondicional. A carreira é sempre longa e crescente na hierarquia dos mandatos públicos). 

 

Ambos perfis procuram confundir, sugerindo não haver outra escolha, como se inexistisse alternativas. Nada além de paternalismos e assistencialismos.

 

Essa dicotomia, obviamente, não é verdadeira. Inadvertidamente, porém, acontece que o povo acaba-se dividindo-se entre conservadores e populistas, acreditando em mudanças e melhorias que, por essas vias, nunca irão acontecer. Apesar da esperança anunciada, a vida, assim, continuará sempre difícil e ingrata. 

 

 

 

Os políticos progressistas (populares) professam diversas matrizes ideológicas, quase sempre de cunho socialista. Caracterizam-se pelo humanismo. Clamam por mudanças sociais profundas e inadiáveis. A grande obra é a soma das pequenas obras. São combatidos duramente pelo conservadores e, tolerados, até certo ponto, pelos populistas. Enfrentam grande resistência quando defendem as suas propostas. Agem de maneia sóbria, sincera e equilibrada. São respeitados pelo que pensam e professam, sempre com absoluta coerência. Apresentam-se com modéstia. Os grandes ícones não encontram eco na mídia, senão negativamente. Vítimas de conspirações, muitas vezes acabam friamente assassinados. Nascem politicamente nas entranhas das angústias populares. Decidem em razão dos interesses do povo, à frente ou não de um mandato eletivo .Destacamos os nomes de Simon Bolívar, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Papa João XXIII (década e sessenta do século passado), Papa Francisco, Martin Luther King, Nélson Mandela, Zumbi, Tiradentes, Chico Mendes, Pagu, Anita Garibaldi, Wladimir Hersog e demais encontráveis em cada esquina das injustiças deste planeta.

 

 

Uma coisa é certa. Daqui pra frente os políticos, sem exceção, de qualquer lugar, ou se identificam com as transformações suficientes para atender os legítimos anseios dos povos amargaremos todos o final dos tempos, dominados pela barbárie. .

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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