
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente O fantasma da contribuição sobre o movimento de ativos bancários, assentada como Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, outra vez ronda a conta-corrente bancária dos brasileiros. O tributo arrecadou uma boa soma para ressarcimento dos custos da saúde pública. Destinava-se, em grande parte, ao pagamento das parcerias privadas. O governo anterior, entretanto, desviou a verba para outros cantos orçamentários, fato reconhecido pela presidente Dilma.
Na época da aprovação da CPMF não ocorreu resistência legislativa. Havia no Congresso Nacional cerca de 100 mandatários donos de hospitais. Abolida, a pressão favorável à reedição desse tributo continua firme e forte. Até os governadores dos estados clamam pelo retorno da modalidade.
É verdade que o governo federal precisa honrar os compromissos com a saúde do povo, vez que, devido a pecaria qualidade de vida oferecida , os patrícios adoecem com facilidade. As clínicas médicas, as farmácias e as funerárias proliferam Já não somos um país, mas sim um grande hospital.
Alegam os executivos da nação a falta recursos para tais fins. Saco sem fundo, diria a Dona Adelaide. Se os parlamentares desejam minimizar o grave problema, que criem, paralelamente, uma nova fonte de renda, isto é, arranjem roupa nova para a velha CPMF, concluem.
Tudo bem, o desafio está lançado. Investimentos na saúde exigem prévia arrecadação. Mas, o Brasil não encontra-se no pódio do campeonato de arrecadação de impostos e contribuições? Claro, batemos o recorde há muito tempo. Pra onde vai então esse dinheirão todo? Ou, saúde não é prioridade no governo petista.
Sabe-se que a grana advinda das arrecadações fica retida nos bolsos do superávit primário, com o objetivo de pagar os juros astronômicos da dívida pública, obviamente em detrimento da vida nacional. O Brasil sempre teve a fama de bom pagador. Não dá calote em ninguém. Por isso recebe nota 10 das empresas que assessoram a agiotagem internacional. Até quando vamos contar vantagens, mostrar equilíbrio das contas públicas com dinheiro emprestado a peso de ouro? A produção brasileira e os salários tornaram-se escravos, senão presas fáceis do descaramento. O programa “Bolsa-Família” e outros do gênero, apenas tapam o sol com a peneira.
Além da redução do superávit primário, existem outros modos eficazes, alternativos, que o governo central poderia aderir, objetivando a obtenção de recursos para aplicação na saúde pública.
Aí vai. Taxação sobre as grandes fortunas; taxação sobre a importação de bens supérfluos; taxação da movimentação marginal do dinheiro; exigir do capital motel (apenas dorme no pais) a aplicação duradoura, de pelos menos um ano; maior tributação da remessa de lucros para o exterior; taxação das propriedades rurais improdutivas; maior taxação para as indústrias do tabaco; combate eficaz da corrupção; eliminação da ajuda aos empreendedores privados (Copa do Mundo); redução da propaganda estatal; diminuição drástica dos cargos de confiança (Bolsa-Holerite); retorno das tropas estacionadas no Haiti; Aplicação dos royalties do pré-sal na saúde do povo; reforma tributária, com melhor distribuição dos tributos; aumento da participação do estado, dos municípios e da união na política pública de saúde (emenda 29).
A CPMF só seria bem-vinda, em se tratando de imposto único. É o mais justo de todos. No Brasil a arrecadação se faz em cima das classes laboriosas. Quanto mais rico o cidadão, menos contribui com o governo. A turminha esperta “de vez em sempre” repassa os “prejuízos tributários” aos consumidores e outros incautos. Cada um deve arcar com os impostos proporcionalmente aos valores movimentados nos Bancos. Quem pode mais, chora mais. Não escaparia ninguém. Nem o traficante, nem o caixa-dois, nem os dividendos da corrupção. Desapareceria a figura do sonegador. Objeções? Pondero ao leitor que todos impostos e contribuição produzem efeito cascata.
Não há outra saída. Os privilégios do século XX exauriram-se. A mudança do atual modelo econômico-financeiro (globalização) se faz plenamente necessária, sob pena de amargurarmos o final dos tempos travestido de crise sem precedente na História da Humanidade. O Brasil não escapa.
Ah! Ia me esquecendo. Denomina-se “Derrama” a insuportável tributação imposta pelos colonizadores portugueses aos colonizados brasileiros. A moda pegou. Apesar da Independência e da República a prática continua, firme e forte.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





