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28/08/2018

Qual o perfil político do seu candidato?

 

 

 

A segunda década deste século 21 vai desaparecendo no horizonte das incertezas. Uma nova ordem mundial desponta no raiar de uma nova época, iniciada em 1973 por Reagan e Thatcher. .

 

A crise do passado recente deixou uma herança doída e sem propósito. Hoje, dois terços da população mundial encontra-se (ou continua) na linha da pobreza ou abaixo, vítima de doenças, deseducação, violência e outras aflições, com risco da própria sobrevivência. O Brasil e Atibaia reproduzem essa trinte realidade.

 

A recuperação do agonizante planeta Terra, a vida como um todo, passa pela liderança e ação de políticos nascidos nas urnas. Mas, por que, até agora, não se dispuseram a defender os interesses e as necessidades inadiáveis dos povos?

 

Os eleitores são induzidos a votar nos discursos eleitoreiros da TV, quase sempre falsos, proferidos por heróis fictícios. Resultado: os eleitos acabam sendo sempre os do mesmo naipe, apesar da variação da cor das ideias.

 

O voto consciente pressupõe conhecer a conduta real de cada um, os compromissos ideológicos e, principalmente, se o discurso de campanha corresponde a ação efetiva de todos os momentos. O postulante não pode afirmar uma coisa e fazer outra, como acontece a miúdo. Nesse caso, livre-se dele.

 

A democracia representativa republicana produziu tipos diferentes de políticos, dentre outros, os conservadores, os populistas (messiânicos) e os progressistas (populares). Os conceitos de esquerda e direita põem e devem ser substituídos por conservadores e progressistas.

 

Os conservadores não suportam discutir mudanças políticas, sociais, econômicas. Tudo deve permanecer exatamente com se encontra. Propõem reduzir o tamanho do estado com relação aos pobres, para aumentar a ajuda aos ricos.

 

Os populistas simulam, em discursos arrebatadores, defender mudanças, mas concordam apenas com pequenas e insignificantes reformas. Os progressistas lutam por transformações profundas e imediatas.

 

Como reconhecê-los? Qual o perfil ?

 

Os conservadores defendem modelos envelhecidos e anacrônicos, moldados no neoliberalismo (concentração do dinheiro em mãos de poucos).. Apoiam as ditaduras, a sociedade de mercado selvagem e a solução violenta para todos os males e problemas da sociedade. Colocam-se acima dos partidos políticos, estimulam o fisiologismo e o culto à personalidade. .

 

Entendem que o eleitor ideal é aquele que vota nas pessoas e jamais em propostas. Contratam cabos eleitorais de profissão e compram tantos votos quantos necessários à vitória a qualquer custo. São adeptos intransigentes da globalização, da centralização absoluta do poder e da renda e riqueza. Não dialogam. Apenas ordenam (manda quem pode, obedece quem tem juízo). Têm por lema: vale tudo, menos perder a eleição. Imitam os coronéis e os caudilhos da República Velha, antes de 1930. Posam de latifundiários.

 

Privilegiam os correligionários de aplauso fácil e vivem cercados deles (puxa-sacos). Perseguem e punem os opositores causando-lhes todo o tipo de prejuízo. Preferem as iniciativas individualistas. Não toleram as manifestações coletivas e intervêm (corrompem) as organizações de trabalhadores. Transforma o poder em balcão de negócios.

 

Praticam benemerências fotogênicas e alardeiam proteger os pobres em obras de migalhas. . Mantêm seguranças (capangas) ostensivos. Dedicam-se a obras faraônicas e de custos milionários (pontes, viadutos, túneis, estádios de futebol) de interesse apenas das empreiteiras amigas. Mantêm depósitos bancários ilegais no exterior. 

 

Defendem e recessão econômica e os baixos salários (arrocho). Jogam com os especuladores (os lucros justificam os meios). São proprietários das emissoras de rádio, jornais , revistas e canais de televisão, que diuturnamente elogiam e fotografam o dono e a cambada. . Divulgam propaganda enganosa. Estão convencidos que a educação e a saúde provocam despesas inúteis. Confundem moralidade publicam com os preconceitos que cultiva. Pouco se importam com epidemias, endemias, preservação do meio ambiente e poluição. Desconhecem a força das medidas preventivas positivas. Asseveram que o mundo está no caminho certo. Usam a extrema violência na defesa de seus interesses de classe.

 

Os políticos populistas são adeptos das medidas paliativas. Usam os serviços públicos assistenciais para promoção pessoal. Distribuem passagem de ônibus, bancam receitas médicas, não se preocuparem seriamente com os excluídos. Maculam o juramento da própria profissão, transformando-a e instrumento eleitoral. Discursam falso humanismo. Exaltam a participação popular, sem acreditar nela. Manipulam as reivindicações dos trabalhadores.

 

Propiciam as maquiagens urbanas, principalmente nas avenidas de grande movimento de veículos e pedestres. Dizem-se ecólogos e agem contraditoriamente. Canalizam os córregos e permitem o abusivo parcelamento do solo (desmatamento, assoreamento de córregos e rios). Ignoram a tragédia revelada pela taxa de mortalidade infantil (TMI). Admitem reformas e mudanças não significativa, desde que preservem os interesses pessoais dos poderosos. São submissos. E daí pra frente.

 

(Os políticos messiânicos, são populistas dotados de forte carisma. O povo os apoia de maneia sectária, cega e incondicional. A carreira é sempre longa e crescente. Percorrem todos os cargos da hierarquia institucional ). 

 

Ambos os perfis procuram confundir, sugerindo não haver outra escolha, como se inexistissem alternativas. Nada além de paternalismos e assistencialismos.

 

A dicotomia, obviamente, não é verdadeira. Inadvertidamente, porém, acontece que o povo acaba-se dividindo-se entre conservadores e populistas, acreditando em mudanças e melhorias que, por essas vias, nunca irão acontecer. Apesar da esperança anunciada, a vida, assim, continuará sempre difícil e ingrata. 

 

 

Os políticos progressistas (populares) professam diversas matrizes ideológicas, quase sempre de cunho socializante. Querem um estado forte a favor da maioria. . Caracterizam-se pelo humanismo. Clamam por mudanças sociais profundas e inadiáveis. A grande obra é a soma das pequenas obras. São combatidos duramente pelo conservadores e, tolerados, até certo ponto, pelos populistas. Enfrentam grande resistência quando defendem as suas propostas. Agem de maneia sóbria, sincera e equilibrada. São respeitados pelo que pensam e professam, sempre com absoluta coerência. Apresentam-se com modéstia.

 

Os grandes ícones não encontram eco na mídia, senão negativamente. Vítimas de conspirações, muitas vezes acabam friamente assassinados. Nascem politicamente nas entranhas das angústias populares. Decidem em razão dos interesses do povo, à frente ou não de um mandato eletivo.

 

Destacamos os nomes de Simon Bolívar, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Papa João XXIII (década e sessenta do século passado), Martin Luther King, Nélson Mandela, Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Chico Mendes, Pagu, Anita Garibaldi, Wladimir Herzog, Papa Francisco e demais encontráveis em cada esquina das injustiças deste agonizante planeta.

 

Na América Latina muitos presidentes elegeram-se defendendo sinceramente os interesses da maioria negra, indígena e pobres em geral . É claro, são achincalhados pela mídia, de propriedade e manipulação dos conservadores. Surgiu o Fake News. . E o povo acaba acreditando. Mas, apesar de tudo não esquecer que deles depende um porvir menos sofrido. 

 

 

Uma coisa é certa. Dê-se um basta no neoliberalismo dos magnatas. Daqui pra frente os políticos, sem exceção, de qualquer lugar, ou se identificam com as reformas suficientes para atender os anseios dos povos, sem assistencialismos ou assistencialismos, ou amargaremos todos o final dos tempos. 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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