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05/12/2018

A industrializao de Atibaia e o apito da fbrica de tecidos

 

No livro “Terra de Jerônimo – Histórias do Quase Paraíso”, dediquei algumas observações à fábrica de tecidos São João. Iniciei analisando o contexto social:

“A dinâmica do mundo dos negócios transformou a Fábrica de Tecidos São João em Cia. Têxtil Brasileira (CTB). A fábrica assalariou centenas de famílias, quase todas assentadas no derredor da rua João Pires. Construíram-se dois prédios: o de cima, destinado à fiação e o de baixo, à tecelagem tinturaria e sala de pano. O terreno foi cedido pela municipalidade.

Prossegui: “ Nem tudo são flores. As queixas obreiras advinham da poeira insalubre exalada dos teares e dos decibéis perfuradores de tímpanos. As reivindicações operárias, como de resto do mundo industrializado, resumiam-se em melhores condições de trabalho e salário justo... A dona Faustina, líder nata, renunciou à benesses patronais para somar-se às angústias do proletariado. Liderou reivindicações...”

Continuei: O apito da fábrica de tecidos anunciava festas e religiosidades... – Atenção! A fábrica vai apitar! Um..dois..três. Viva o ano novo! ...O tecelão Álvaro Vulcano, o Benedito Gomes, o eletricista Cassimiro Silveira, dentre outros, presidiram o Sindicato dos Trabalhadores, puxador de reivindicações e greves. A entidade sempre se afinou com as ideias políticas de ponta, praticadas nos grandes centros do país”.

Em seguida revelo o pano de fundo ideológico: “ Nos bastidores travava-se uma batalha surda entre a direita, católicos de centro e a esquerda. Predominou a hegemonia nacional do “Partidão” (PCB) e, depois, a da Central Única dos Trabalhadores(CUT).

Concluí que: Na mesma época da desmontagem da Estrada de Ferro Bragantina (década de sessenta) o apito da fábrica de tecidos ficou mudo. Os teares calaram-se. Veio o desemprego. Não surgiram outras fontes produtivas significativas. Apelou-se para o irracional parcelamento do solo urbano, artificialmente expandido sobre a zona rural...” 

Acrescento agora que as fábricas do mundo, nessa época, sempre cuidaram do bem-estar dos trabalhadores. Em Atibaia não foi diferente. Havia uma política empresarial de incentivos à recreação e lazer. Construiu-se um estádio de futebol, como quadras para Bola ao Cesto e Voleibol. Um clube de dança. Comemorou-se o 1º de Maio com muita festa e churrasco. Ergueu-se casas operárias na zona urbana. Criou-se uma Cooperativa de gêneros alimentícios. Manteve-se creche. No Natal distribuíam-se brinquedos para os filhos dos empregados. Organizou-se uma banda de música.

Atibaia abrigava uma única grande empresa que sustentava a economia do município. Dependeu dela enquanto operou. Depois, quando desativada, trouxe sérios problemas de emprego e sobrevivência.

Interessante notar neste ano de 2017 que a tendência a grandes e únicos empreendimentos persiste. Registra-se a presença de uns poucos hotéis de grande porte. Se fecharem as portas a quebra se repete. Nota-se o surgimento de condomínios industriais tardios.

Nas primeiras décadas do século 20 as leis trabalhistas eram insuficientes e descumpridas. A jornada de trabalho estendia-se a 12 horas, não se gozava férias, os salários eram arbitrários, a carestia grassava. As doenças profissionais e os acidentes do trabalho não eram socorridos pelas leis. 

A legislação trabalhista avançou. O governo Temer patrocinou reformas trabalhistas e previdenciárias causando profundo retrocesso. O presidente eleito Jair Bolsonaro, segundo declarações próprias e dos assessores, pretende continuar no rumo do antecessor, sempre ressalvados os marajás da República. 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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