
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente O marco zero da história de Atibaia tem uma vida de muitos séculos. Jerônimo de Camargo, em 1665, escolheu o alto da colina para instalar um lugarejo surgido da vontade e precisão dos desbravadores. O Padre licenciado Mateus Nunes de Siqueira, pouco depois, disse a missa e assentou dezenas de índios aprisionados, com a devida permissão da Câmara de São Paulo.
A praça, através dos tempos, tornou-se o ponto de todas as comemorações sociais e políticas, inclusive as de grandeza nacional. O povo ali acorreu em razão da proclamação da Independência, da libertação dos escravos e o advento da República. A partir de 1.770, com a decretação da autonomia atibaiense, o logradouro festejou as próprias efemérides.
O largo sempre se manteve terreiro de chão batido, com um discreto coreto no centro. Espaço totalmente livre ao povo, máxime para se ouvir a banda repicar dobrados da lavra dos maestros paroquianos.
Na década de quarenta do século XX, ergueu-se ali um imponente monumento em homenagem ao líder Major Juvenal Alvim, descendente direto de Jerônimo de Camargo.
Depois, quase todos os prefeitos da urbe modificaram radicalmente a arquitetura ambiente. As escavações não deram em ouro, como suspeitavam as línguas oposicionistas.
Nesse espaço, agora um pouco apertado, os políticos armavam comícios populares, principalmente após a ditadura Vargas e o Estado Novo.
Indiferentes aos caprichos dos burgomestres, os moços no sentido horário e as moças no contrário, percorriam quilômetros, no mesmo quadrado, a procura de um bom flerte. Era o memorável “ footing”, de tantos suspiros e decepções.
Festejava-se o padroeiro São João, com os folguedos e danças de praxe. Não podia faltar o quentão, o pau-de-sebo e a quermesse do padre.
Existe um estudo acadêmico elaborado na década de setenta, sugerindo a transformação de todas as ruas do centro velho, num amplo lugar só para pedestres, com o objetivo de preservar a qualidade de vida dos moradores. O prefeito da época ensaiou o “calçadão” num pequeno trecho da rua José Alvim, sem sucesso. Marchas e contramarchas de interesses, os veículos continuam circulando livremente, quebrando a lógica urbanística.
Na década de oitenta, a cidade passou por um processo de descentralização , dando origem ao eixo comercial da avenida governador Lucas Nogueira Garcês. A rodovia Fernão Dias, agora duplicada, provocou um assustador crescimento demográfico, transformando o leito carroçável da antiga estrada São Paulo-Bragança Paulista (SP-8) num verdadeiro “ boulevard” .
No início deste século, o largo da Matriz recuperou o prestígio e as festas voltaram. Porém, constatou-se que não havia espaço nenhum para tanta gente. O deslocamento das barracas para a rua José Lucas (das duas igrejas) sequer minorou o problema.
Neste início do século XXI pretende-se devolver a praça e o espaço ao povo, em nome de uma tradição de 300 anos, transparece uma atitude bastante razoável. Surgiram críticas. Entretanto, o olhar do urbanista é , quase sempre, oposto ao do cidadão motorizado. As soluções coletivas sempre conflitam com interesses individuais dos automóveis.
A retirada do asfalto e o estreitamento da rua José Lucas (das duas igrejas) acontece em boa hora. A preferência aos pedestres idem. Faltou apenas um pouco de bom gosto na decoração.
Porém, ainda resta o desconsolo de saber que Atibaia há muito ostenta a fama de única cidade do Brasil com “calçadão que passa carro”. Esperamos que proeza se resolva e jamais dite moda alhures.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





