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27/09/2011

Crise ou fim do capitalismo?

Calma. Não se assustem. O   regime liberal ou neoliberal    têm sete fôlegos. Restam pelo menos mais uns três.  As encruzilhadas econômicas e as armadilhas anticapitalistas sempre existiram,  pelo menos desde a Revolução Francesa (1789).  A  guerra sempre foi e continua sendo um santo remédio para  os males da burguesia.

 

 O socialismo real (soviético) não   conseguiu botar água  no chope   dos  americanos e europeus ocidentais.  Na mesma esteira o fundamentalismo religioso; o Bin Laden e a China  (socialismo  à moda da casa). 

 

Porém, nada é eterno. Se a sociedades primitiva, escravista, feudalista e  socialista (soviética) chegaram  ao fim, por que não o capitalismo ? Claro, nada acontece da noite para o dia. A somatória das pequenas   mudanças  quantitativas, determinam as grandes  mudanças qualitativas. As transformações são lentas e graduais, porém inexoráveis.  

 

Nem por isso  acredita-se   em determinismo histórico. A história muna se repete.  Os fatos emergem  das  necessidades  da sociedade,  que se renovam a cada segundo,  sempre caminhando pra frente. Nunca engatam marcha  à ré.   Algumas batalhas talvez se pareçam.  Não obstante, as guerras ideológicas  são sempre de coloridos  e naipes  diferentes.

 

 As crises brotam do conflito de idéias. A ideologia  no Poder,  vitoriosa,  hegemônica,  dominante e pacífica,  com o passar dos  séculos desgasta-se. Deteriora-se.  Apodrece, mercê  das  contradições.   Tudo  nasce com o germe da própria destruição.

 

Mas, então, quais as atuais contradições  do capitalismo? São muitas.  A mais escandalosa  situação no escurinho   da economia acontece mais ou menos assim: a capitalização estatal  se faz pela emissão e venda  de títulos da dívida pública, com pagamento de juros astronômicos  aos   Bancos.    Muitos  governos, para sustentar o vício, cobram  cada vez mais   impostos absurdos do seu povo. Mesmo assim quebram e  deixam de pagar suas dívidas com pontualidade. Os Bancos,   diante do calote, também quebram. (Efeito dominó). 

 

O Brasil, além de  cobrar os impostos  mais caros do mundo,  aumentou o superávit primário, isto é, digo e repito,  desviou a grana da saúde e educação para os bolsos dos especuladores. Diante da falência mundial,  a  estratégia brasileira colocou o país no podium dos devedores  mais confiáveis  e eficientes.(AAA).    

 

Além disso, o   aumento permanente e doentio  do PIB (Produto Interno Bruto) pressupõe  o consumo dos recursos naturais do planeta, já tão escassos. Em contrapartida  a produção precisa ser consumida pelo povo, pobre  vítima da   crescente taxa de desemprego e  do decrescente valor nominal dos salários.  Resultado: os consumidores tupiniquins   pagam juros extorsivos aos  Bancos. E o  cordão dos endividados   cada vez aumenta mais.  

 

Agora o mais grave: essa  desgraceira  neoliberal  atende  tão somente  aos interesses  de 5% (cinco por cento) dos humanos.  Os demais terráqueos   passam fome  ou chupam os dedos. 

 

 

Uma nova ordem econômica e social vem aí, segundo os progressistas.  Será que  desabrocha no   Brasil, China, Índia ou Rússia, isto é, nos paises emergentes? Ou seria na autogestão? No anarquismo?  Nas demais utopias? Num novo paradigma.  O assunto vida e morte do   capitalismo  ainda é um tabu. Os conservadores  não admitem   mudanças profundas. Esbravejam.  Em vão.

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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