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03/02/2019

A nova ordem mundial bate porta de Brumadinho

 

Pouco antes das eleições de 2018 anotei nesta coluna algumas impressões sobre o perfil dos candidatos em disputa pelo palácio do planalto. Analisei o quadro político-ideológico. Deitei preocupações sem fim. 

Diante dos acertos cometidos, reescrevo um texto da época, nesta demão alumiado pelas falas e atitudes do presidente recém- empossado. Eis os parágrafos inicias: 

Afinal o que acontece com o Brasil? O país se desestrutura e se desmancha aos pedaços pelas esquinas da pátria. Um salve-se quem puder. O problema reside na “Arca de Noé” do século 21 onde cabem apenas casais da estirpe do negócio financeiro. O futuro pertence a poucas e boas genealogias de ativos bancários. O pessoal da indústria, comércio, produção rural e serviços se danam, embora muitos neguem. O povo nem se fale. Todos se afogam no mar dos juros, em águas profundas e rasas. 

No mundo globalizado, consequentemente, o poder pertence a um círculo reduzido de senhores detentores da renda e riqueza internacional, geradas pelo suor da humanidade. Já se apropriaram da metade do dinheiro circulante no planeta. Detém a outra metade nas armadilhas das contas-correntes. Avançam. Nada os detém. 

O desequilíbrio assombra. Os políticos se prestam a governar de joelhos aos interesses da minoria podre de rica. A natureza é devorada sem dó nem piedade, como se o homem não a integrasse. Brumadinho é apenas um triste exemplo recente. 

 

O jurista argentino Eugênio Raúl Zafforini, ex-integrante de Corte Suprema do seu país, em visita a Porto Alegre –RS, para participar de um debate sobre a questão democrática e a midiatização do processo judicial, promovido pelo Instituto Novos Paradigmas. Analisou os fatos que assolam e desassossegam a sobrevivência da espécie racional.

Preparem seus corações para o diagnóstico do portenho, anotado pelo jornalista Marco Weissheimer : “O poder financeiro mundial virou uma organização criminosa. A crise financeira de 2008 foi um estelionato astronômico , que custou bilhões (ou trilhões) de dólares aos contribuintes dos Estados Unidos, União Europeia e de outros países. O autor desse estelionato é um poder mundial que ainda explora trabalho escravo à distância , compra papeis de países endividados e depois os extorque. Esse poder busca enfraquecer os Estados e ocupar o lugar da política...”

 

Diz ainda, o hoje juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que existe um poder financeiro mundial exercido através de imensas corporações transnacionais, com volume econômico que supera muitos países. Está virando uma pulsão totalitária. Querem a maior renda possível no menor tempo. Adeus regimes democráticos.

As palavras são duras. Mas, podem explicar o país inexplicável em que vivemos. Diante da mixórdia pergunta-se: essa nova ordem, via WhatsApp, provocou uma eleição presidencial surrealista no Brasil de 2018? As políticas públicas propostas pelo vencedor Bolsonaro revelam essa realidade quando substitui o Estado de bem-estar social pelo Estado mínimo? (Agora o povo paga impostos e não tem direito ao retorno do montante em educação, saúde, habitação, transporte etc. Desvio de verba para o pagamento de juros pode tipificar crime de responsabilidade ).

 

E, é igualmente cruel quando se propõe reformas que subtraem os direitos trabalhistas e previdenciários dos obreiros. Quando as mudanças ignoram e mantêm os marajás da República, responsáveis pelo desiquilíbrio orçamentário do seguro social. Quando não tributam as grandes fortunas e os redutos religiosos. (quanto mais pobre a pessoa, mais paga ao governo). Quando apoia as indústrias extrativas (madeira e minérios), livrando-as da fiscalização do IBAMA , sob o risco da proliferação das catástrofes. 

Trump, o Chapolin Colorado dos governos de extrema-direita latino-americanos, substitui com vantagem o BRICS? Claro que não. O prejuízo de enormes proporções é certo e sabido. Aliás, a China e Rússia, segundo os observadores internacionais, estão vencendo a guerra-fria provocada pelo Donald. Torçamos para que não se transforme em guerra nuclear. 

Claro, tem gente que não concorda como dito acima. A esses suplico que analisem com desvelo e sem preconceito as reformas do Temer, ratificadas pelo Bolsonaro, equilibradas numa corda que arrebenta do lado do mais fraco. 

Sorriam. O malabarismo verborrágico dos economistas comprometidos com a nova ordem mundial pode convencer os sectários e os menos avisados. Penalizam as vítimas, sob aplauso da classe média desejosa de sobreviver enquanto beneficiária de migalhas salariais um pouco mais gortinhas; . Defende-se com unhas e dentes os pequenos privilégios ,ora em rota de extinção. O medo de empobrecer é pois mau conselheiro

A insegurança total aposta na violência como remédio para todos os males. Dissemina-se o ódio. Elegem-se inimigos mortais. A intransigência bate recorde de imaturidade. A incerteza medíocre alimenta os discursos ministeriais. 

Os velhos suportes políticos permanecem ativos. Rodrigo Maia se mantém presidente da Câmara Federal. Renan Calheiros disputa a presidência do Senado.

Tudo mudou para nada mudar. O lado bom: agora podemos comprar armas de fogo, educar nossos filhos sem escola, curar-nos sem saúde pública, comer veneno, derrubar florestas, extrair minérios com mercúrio e chumbo, a viver sem saúde pública, execrar a arte etc. Cortejo fúnebre sem fim. 

A sirene da resistência há de soar a tempo de resgatar o país dos nossos filhos e netos, embora hoje soterrada pela lama de Brumadinho-MG.

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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