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03/10/2011

Lições da juventude

Num sábado depois do inverno, cheio de sol e árvores floridas, estava eu jogando conversa fora na porta do vizinho, quando fomos envolvidos por uma  dezena de jovens. Traziam  muitas  perguntas.   

 

Colocamo-nos à disposição para  indicar os caminhos  que levam  aos   pontos pitorescos   da urbe, inclusive  a  “Festa das Flores e do Morando”,   instalada  no Parque  Edmundo Zanoni.  

 

Nos finais de semana os   atibaienses  dedicam-se a  orientar os turistas  desnorteados,  por motivo de deficiência   da sinalização indicativa das praças e logradouros. Os escritórios turísticos ensinam, mas poucos chegam ao destino sem ajuda  dos moradores. 

 

Agora a surpresa.  A conversa emendou questões inesperadas.  Normalmente ninguém se preocupa   além da paisagem e da foto de recordação.  As indagações sobre  o   prédio da Cadeia e do Fórum,  hoje museu municipal;  o casarão, o parque Edmundo Zanoni e o Centro de Convenções Victor  Brecheret, pressupõem erudição histórica.

 

Feliz coincidência. Há muito nos dedicamos   ao estudo  das personagem  que edificaram,  através dos tempos, a sociedade atibaiense. Nosso município, fundado em 1665, por Jerônimo de Camargo, perfaz   mais de 350  anos.  

 

Até 1770 éramos  um bairro de São Paulo, quando adquirimos  autonomia política.  Daí pra frente  tornamo-nos donos do próprio nariz.  Instalamos a Câmara de Vereadores  e aos poucos  construiu-se os prédios institucionais,   inclusive o imóvel  indagado , que serviu   de prisão e juizado,    ora  testemunhos  da  vida  nos contextos do Brasil -Colônia, Imperial e Republicano.

 

O museu municipal tem por patrono o ex-prefeito João Batista Conti,   um advogado e   historiador emérito. O acervo público misturou-se às peças doadas  pelo  burgomestre. 

 

Ao meio da conversa sugeri  abolíssemos as datas  exatas. Trataríamos apenas de épocas, as mais significativas. O casarão, situado na Praça da Matriz, marco zero da história de Atibaia,   sobreviveu devido a solidez da edificação.  Os demais prédios não se sustentaram em razão da precariedade da obra.  Até 30 anos  atrás,  a larga maioria da população residia na zona rural.  As visitas mais longas à cidade aconteciam durante as festas religiosas (Natal; São João). Moradias  rudimentares  serviam de abrigo nos  pernoites improvisados.  Foram demolidas em nome do progresso.

 

 

 

O parque Edmundo Zanoni também homenageia  um ex-prefeito. Antes o local era conhecido por Clube de Campo, com lago e piscina  de água  corrente. Trata-se de um equipamento urbano de rara beleza.  Abriga  a sede dos escoteiros atibaienses.  Ali a comunidade em geral curte  agradáveis momentos de lazer.   

 

O Centro de Convenções, construído na primeira década do século XXI, tremula o  nome do  artista plástico Victor Brecheret, autor  do  Monumento às Bandeiras,  instalado no Parque Ibirapuera, lá na  capital paulista.

 

Numa época escolar  em crise, imaginamos  que uma didática de campo,  somatório  de turismo, disciplina  e aquisição de novos conhecimentos poderia ser uma   solução.

 

Cumprindo promessa feita aos participantes do movimento de escoteiros do  Brasil, da família MOPYATÃ, escrevo esta crônica em homenagem  à chefe Sônia Biacca  e à  patrulha Monte Prano: Rebecca Gurgel, Nathália Viana, Rafael Veronezi, Fernanda Carvalho e Yanca Cruz.  .

 

Missão cumprida. Voltem sempre!

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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