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19/10/2011

Protestos contra a corrupção

O movimento popular  de quarta-feira passada,   na cidade de São Paulo  e outras capitais do país,   não se apresentou  na contra-mão da   opinião pública. Ao contrário, vai de encontro  à indignação dos brasileiros  de todos os quadrantes da pátria. Um clamor nacional.

 

A situação se repete na história.  Durante a ditadura Vargas, conhecida pelo codinome de Estado Novo (1937), os operários ganharam as ruas em nome  da  liberdade e da democracia. A vitória editou  a Constituição libertária  de 1946. Comemorou-se a derrota do espectro nazi-fascista.

 

Houve outros  tempos em  que se atribuía, aos  jovens  em passeata,  a  pecha de subversivos, agitadores e  desordeiros. Era  a estratégia da  ditadura instalada em 1964. Acreditou-se  nos  “revolucionários”  até que as máscaras caíram.  Aqueles que discursavam  contra a corrupção, passaram a praticá-la  em  toda a plenitude.  A cupinchada deitou e rolou  na grana dos cofres públicos.

 

Na oportunidade, as  primeiras tentativas  contra o regime ditatorial  foram frustrantes. A qualidade das idéias   não correspondia à  quantidade de adeptos, embora  já não se agüentasse  mais a  tirania.  Estudantes  e  intelectuais foram  presos e assassinados. Os alunos   da Faculdade de Direto da USP  entrincheiraram-se  nas  trovas acadêmicas.  Uma delas conclamava os acadêmicos: Quando se sente bater/ no peito heróica pancada/ deixa-se a folha dobrada/ enquanto se vai morrer.

 

A água mole tanto bateu na pedra dura,  que  multidões verde-amarelas  exigiram e mudaram a política  até  então  imposta ao país. Dessa luta resultou na   Constituição cidadã de 1988.  Nascia um novo arcabouços jurídico repleto  de  esperanças. 

 

Mas, a erva daninha da corrupção   não  se abate nunca. Renasce das cinzas, paulatinamente,  até que   se instalou novamente   nas  cadeiras do Congresso Nacional,  regada diuturnamente  pelos   partidos  da  “base aliada”.  As respectivas  quotas garantem uma distribuição  igualitária  do fruto  proibido da arrecadação. Haja erário para sustentar a sanha   dos imortais    corruptos e corruptores. Todos se lembram dos anões do orçamento, agora em nova versão de gigantes,   incrustados nas   instâncias do Poder.  

 

 

A recente passeata da avenida Paulista reuniu pais e filhos. As cabeças  brancas pontilharam todo o  trajeto,  unindo veteranos da resistência  aos assaltantes de colarinho branco,  com os noviços abastecidos com o gás da juventude.

 

Na basílica de Aparecida, o arcebispo  Dom Raimundo Damasceno, rezou missa para mais de 30.000 (trinta mil) fiéis. Durante a homilia criticou duramente a corrupção  que assola a República. Um sonoro basta!.      

 

Uma enquête revea que  99% (noventa e nove por cento da população brasileira) apóiam os protestos contra os corruptos, embora  ainda não estejam nas ruas da indignação. O fato refletirá nas urnas das eleições futuras, inclusive na de 2012.  Os eleitores   procuram  um candidato  consciente. 

 

Em Atibaia, a maioria dos políticos   ainda não conseguiu  livra-se das questões miúdas. Apegam-se aos formalismos  cartorários. Somam siglas partidárias, acreditando num acréscimo mágico da força  eleitoral.  Um candidato a prefeito,  vice e uma “boa” chapa e vereadores  é suficiente para a disputa,  mesmo a  peso de ouro. Mas, nem todos político trazem o preço  estampado   na etiqueta.      

 

Ao assumir  um discurso sincero  de repercussão geral,  voltado para os legítimos  anseios  da sociedade,  o candidato poderá contar  com a expressividade do  voto maduro,   ao  custo patriótico   de se  acabar com as  barganhas das campanhas eleitorais. 

 

Além do mais, pra começar,   o povo  aplaude  presença dos candidatos nas passeatas   contra a corrupção e quetais, apesar de apartidárias.  Coragem. Nada a temer.  A honestidade de propósitos  é uma virtude. Jamais um defeito abominável.

 

 

 

 

Gilberto Santanna
gilbertosant@terra.com.br

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.

Contato: gilbertosant@terra.com.br


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