
Alinhavos eleitorais para 2012
Corrupção e impunidade de Cabral a Palocci.
Dois pesos, duas medidas
Os 346 anos de Atibaia
O Brasil sob tutela dos cartolas do futebol
O Itamar Franco
Os milagres de Nossa Senhora da Consolação
A crise dói no lombo do povo
A visita do senhor resistência
Tome uma atitude
O Perfil dos eleitores
O triste fim da velha política
Atibaia, cem anos de enchentes
A Derrama chamada CPMF
A urbanização da praça da matriz
Crise ou fim do capitalismo?
Lições da juventude
Reflexões políticas para 2012
Protestos contra a corrupção
Jogue o lixo no lixo
Políticas e políticos atibaienses
A invasão da USP
Retrocessos autoritários à vista
O sangue do século 20
As chuvas vêm aí
O pioneirismo na educação atibaiense
Sobre a delicadeza humana
A Dilma em Cuba
Os meninos da feira
Um bode na sala
O voto consciente
O movimento popular de quarta-feira passada, na cidade de São Paulo e outras capitais do país, não se apresentou na contra-mão da opinião pública. Ao contrário, vai de encontro à indignação dos brasileiros de todos os quadrantes da pátria. Um clamor nacional.
A situação se repete na história. Durante a ditadura Vargas, conhecida pelo codinome de Estado Novo (1937), os operários ganharam as ruas em nome da liberdade e da democracia. A vitória editou a Constituição libertária de 1946. Comemorou-se a derrota do espectro nazi-fascista.
Houve outros tempos em que se atribuía, aos jovens em passeata, a pecha de subversivos, agitadores e desordeiros. Era a estratégia da ditadura instalada em 1964. Acreditou-se nos “revolucionários” até que as máscaras caíram. Aqueles que discursavam contra a corrupção, passaram a praticá-la em toda a plenitude. A cupinchada deitou e rolou na grana dos cofres públicos.
Na oportunidade, as primeiras tentativas contra o regime ditatorial foram frustrantes. A qualidade das idéias não correspondia à quantidade de adeptos, embora já não se agüentasse mais a tirania. Estudantes e intelectuais foram presos e assassinados. Os alunos da Faculdade de Direto da USP entrincheiraram-se nas trovas acadêmicas. Uma delas conclamava os acadêmicos: Quando se sente bater/ no peito heróica pancada/ deixa-se a folha dobrada/ enquanto se vai morrer.
A água mole tanto bateu na pedra dura, que multidões verde-amarelas exigiram e mudaram a política até então imposta ao país. Dessa luta resultou na Constituição cidadã de 1988. Nascia um novo arcabouços jurídico repleto de esperanças.
Mas, a erva daninha da corrupção não se abate nunca. Renasce das cinzas, paulatinamente, até que se instalou novamente nas cadeiras do Congresso Nacional, regada diuturnamente pelos partidos da “base aliada”. As respectivas quotas garantem uma distribuição igualitária do fruto proibido da arrecadação. Haja erário para sustentar a sanha dos imortais corruptos e corruptores. Todos se lembram dos anões do orçamento, agora em nova versão de gigantes, incrustados nas instâncias do Poder.
A recente passeata da avenida Paulista reuniu pais e filhos. As cabeças brancas pontilharam todo o trajeto, unindo veteranos da resistência aos assaltantes de colarinho branco, com os noviços abastecidos com o gás da juventude.
Na basílica de Aparecida, o arcebispo Dom Raimundo Damasceno, rezou missa para mais de 30.000 (trinta mil) fiéis. Durante a homilia criticou duramente a corrupção que assola a República. Um sonoro basta!.
Uma enquête revea que 99% (noventa e nove por cento da população brasileira) apóiam os protestos contra os corruptos, embora ainda não estejam nas ruas da indignação. O fato refletirá nas urnas das eleições futuras, inclusive na de 2012. Os eleitores procuram um candidato consciente.
Em Atibaia, a maioria dos políticos ainda não conseguiu livra-se das questões miúdas. Apegam-se aos formalismos cartorários. Somam siglas partidárias, acreditando num acréscimo mágico da força eleitoral. Um candidato a prefeito, vice e uma “boa” chapa e vereadores é suficiente para a disputa, mesmo a peso de ouro. Mas, nem todos político trazem o preço estampado na etiqueta.
Ao assumir um discurso sincero de repercussão geral, voltado para os legítimos anseios da sociedade, o candidato poderá contar com a expressividade do voto maduro, ao custo patriótico de se acabar com as barganhas das campanhas eleitorais.
Além do mais, pra começar, o povo aplaude presença dos candidatos nas passeatas contra a corrupção e quetais, apesar de apartidárias. Coragem. Nada a temer. A honestidade de propósitos é uma virtude. Jamais um defeito abominável.

Gilberto Sant´Anna é advogado e ex-prefeito de Atibaia.
Contato: gilbertosant@terra.com.br





