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28/11/2011

Um começo

Estou iniciando a possibilidade de um diálogo ampliado via espaço oferecido nas páginas do JC – Jornal da Cidade. Faz algum tempo surgiu o convite. Apresento-me: sou presbítero da Igreja Católica há 38 anos. Entrei para o seminário aos 10 anos de idade porque quis. Quando tinha cinco anos (e era coroinha na Catedral de Bragança) disse ao Mons. Tito Felice, que trabalhou em Atibaia, que queria ser padre. Ele me disse que quando eu terminasse o Grupo Escolar cuidaria disso. Minha família mudou de bairro. Passei a participar da paróquia dirigida por missionários italianos. Aos oito anos falei com o pároco de meu desejo. Repetiu o que tinha dito Mons. Tito. Concluído o primário entrei para o seminário São Carlos Borromeu, em Sorocaba. Lá concluí os antigos ginasial e colegial. Fui para a faculdade de Filosofia na mesma cidade. 

 

Em 1969, tendo recebido bolsa de estudo, fui para a Itália onde estudei Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Fui ordenado presbítero em 15 de novembro de 1973. Fui destinado à cidade de Socorro para auxiliar Mons. José Pires Cardoso (que também trabalhou em Atibaia). 

 

Em 1978 fui encarregado de dar início à faculdade de Teologia da PUCCAMP (hoje Instituto das Ciências da Religião). Em janeiro de 1982 fui designado para a Catedral de Bragança onde permaneci por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciei minha caminhada junto à comunidade de São João Batista aqui em Atibaia. Venho de uma família imigrante. Meus pais e mais um irmão viemos da Itália em 1948. Seis irmãos nasceram no Brasil. Meu pai sempre trabalhou no comércio. Foi empregado e depois proprietário de armazém. Por 42 anos. Minha mãe sempre cuidou da casa e dos filhos. Nossa família era pobre, mas nunca faltou o necessário. Nós, filhos, tivemos a felicidade de ter pai e mãe que alicerçaram nossas vidas com o exemplo do amor que tinham um pelo outro, pelo amor que nos deram, pelos exemplos de honestidade e, marcadamente, pela fé que nos transmitiram. 

 

Esta apresentação é para dizer que minha história se assemelha à história de muitos leitores. História de gente de carne e osso. E baseado na simplicidade que aprendi é que procurarei oferecer meu ponto de vista sobre aquilo que julgar oportuno abordar. 

 

Desde já me coloco à disposição para entabular conversa com quem assim o desejar. Meu e-mail: pegiovan@uol.com.br Pensei em iniciar minhas reflexões neste tempo próximo à festa do Natal. 

 

Para os cristãos de fé católica o tempo é chamado “Advento” (vinda, chegada). As semanas que antecedem ao Natal têm no seu bojo o sentido profundo da preparação para celebrar o dia em que “o Verbo se fez carne” (João 1,14). 

 

Para os cristãos creio ser oportuno tomar postura de resgate sobre o sentido do Natal. Penso que não se pode esquecer o Aniversariante. Não tenho nada contra o Papai Noel.  È personagem simpático, querido. Além de lembrar que sua figura nasce do bispo Nicolau que, na Turquia, nos primórdios do cristianismo, se preocupava com os pobres, especialmente com as crianças, e fazia chegar, anonimamente, dinheiro e outros dons às casas empobrecidas. 

 

Também creio que os presentes podem ser um belo sentido do bem querer. E que, pelo menos, por um espaço num ano corrido, nos damos o direito de lembrar das pessoas que amamos! Creio, contudo, que se faz necessário lembrar que o Presente Maior nós o recebemos de Deus que, ao nos dar seu Filho, faz com que Ele nos traga a Paz (Lucas 2,14). Sabemos que o “Shalom” dos judeus e o “Salam” dos povos árabes significam plenitude de vida. 

 

Paz não é mera ausência de brigas e desencontros. Paz é o anseio mais profundo de todo ser humano. Pois a vida nos foi dada para ser vivida digna e plenamente. Necessário, portanto, não fechar os olhos àquilo que acontece ao nosso redor. 

 

E enquanto houver alguém sem trabalho, sem educação, sem saúde, sem moradia, sem direitos respeitados, enquanto a violência nos amedrontar, a corrupção manchar os relacionamentos, os jovens julgarem que é preciso gozar o presente porque não há futuro, nós não podemos nos encastelar num festejo emotivo que não nos leve a por em prática aquilo que Deus pensou quando criou o ser humano: ser sua imagem e semelhança!

 

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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4 COMENTÁRIOS | COMENTE
  • 1
    Luiz Carlos Camillo
    20/12/2011 às 11:16
    Parabens ao monsenhor Giovanni pela participação, tenho certeza que seus comentarios serão sempre muito esclarecedores e inteligentes. Parabens ao jornal pelo convite.
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  • 2
    Roberto Cerqueira
    08/12/2011 às 10:18
    Obrigado Monsenhor, por nos dar a oportunidade de crescer a cada dia com as publicações. Deus Abençoe.
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  • 3
    Danilo Manha
    03/12/2011 às 16:27
    Parabéns Monsenhor pelas palavras que vem compartilhando e engrandecendo nosso projeto. Nosso sonho desde o início do jornal em 31 de março de 2007, sempre foi de levar para a população de nossa cidade uma maneira correta de mostrar o que acontece na nossa sociedade. O senhor vem somar muito com nosso projeto Obrigado!
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  • 4
    Dirce Buoso Cardoso
    29/11/2011 às 13:06
    Parabéns Monsenhor Giovani, teremos muito a ganhar com seus comentários valiosos. Seja benvindo.
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