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Domingo de Ramos
Estamos no Natal. Mais uma vez celebrando o nascimento de Jesus Cristo. O fervilhar motivador do comércio se faz presente há um bom tempo. Os meios de comunicação falam da esperança, apesar da crise, “que o Natal seja bom”, isto é, que os resultados financeiros consigam amortizar as dificuldades vividas durante o ano que chega ao fim.
Parece que a postura dos cristãos diante deva festa caminhar por outra estrada. O cristão é aquele que enxerga a profundidade da festa do Natal. E que consegue ver que essa data não é referencial que se esvai no dia seguinte...
Para todos os que creem em Jesus Cristo como Filho Unigênito de Deus, que tomou carne humana no seio da Virgem Maria, a celebração do Natal é um compromisso que se prolonga por toda a vida. E a cada celebração que o Senhor da Vida nos dá realizar, esse compromisso torna-se mais “pesado” pela gratuidade de um gesto de amor totalmente incompreensível para nós. O Criador, que nos amou desde sempre e nos deu liberdade para amá-lo ou não, diante da escolha da autossuficiência humana, buscou um jeito de “estar conosco” para que pudéssemos vislumbrar a imensidão da felicidade que nos quer dar, do amor que nos tem. Em Jesus Cristo elimina a distância que há entre o Infinito e o finito: “Felipe, quem me vê , vê o Pai!” (João 14,9).
Todos nós temos sede de felicidade. Ela foi plantada por Deus em nosso coração. Só que a desejamos saciar olhando o horizonte da vida com nossos olhos míopes. Jesus Cristo é aquele que nasce para nos curar da visão curta e distorcida (Marcos 8,24).
A data do Natal é, portanto, a afirmação de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos querem, tendo-nos feito à sua imagem e semelhança (Gênesis 1,26), como filhos no Filho (Efésios 1,5). Com sua encarnação Jesus Cristo nos redime da separação e nos faz participantes de sua glória, da glória da Trindade Santa.
Por essa razão, a celebração do Natal deve ser para todos nós um reafirmar do nosso discipulado. Do nosso seguir o Mestre. Assumindo suas palavras e seus gestos. Tornando presente, em gestos e palavras, o cerne de sua missão: a proclamação de que o Reino de Deus está em nosso meio! (Mateus 10,7). E o Reino de Deus é que todos sejam um. Que todos sejam irmãos. Que essa fraternidade se expresse na eliminação das injustiças, da maldade, da ganância, do ódio, da guerra, das desigualdades que criam seres humanos sem dignidade. (Mateus 23,8)
Celebrar o nascimento de Jesus Cristo é declarar, de forma explícita, que se está ao seu lado para o que der e vier. É fazer da vida uma doação tão extremada como foi a sua. Sendo Deus, “rasgou” a sua divindade e se revestiu da nossa humanidade. Sendo rico se fez pobre... para nós. (2 Coríntios 8,9).
Na alegria de podermos celebrar o Natal, ajudemos nossas famílias, as pessoas de nossa convivência, a prestar atenção no essencial dessa celebração. Daí todo o resto tomará sentido. E as luzes do Natal perdurarão. Tudo o que é luz e enfeite em nossas cidades dever servir para apontar o Aniversariante. Claro que muita gente não tem interesse nisso. Interessa o lucro que se tem à custa Daquele que é a razão da comemoração.
Para os que queremos viver o sentido profundo dessa festa fica a responsabilidade de não esvaziá-la. O que é feito no Natal deveria ser feito o ano todo. A beleza externa deveria ser expressão da beleza interna que nos leva a ser solidários. Penso, particularmente, nas festas natalinas oferecidas às pessoas carentes. Elas devem ser a “cereja” sobre as necessidades que são vividas o ano todo.
O almoço de Natal deve ser o mais elaborado, consequência de almoços e jantas mais simples que oferecemos na participação das obras como a ação de todos aqueles que tomam a peito visitar as famílias carentes, promover seus direitos, buscar encaminhar para trabalho, etc. São bonitos e louváveis todos os gestos que dão alegria no Natal. Devem, todavia, tornar-se motivadores de ações duradouras.
Até o dia em que, sonhadoramente, ninguém mais necessite senão de um abraço, um beijo, um aperto de mão. Tudo por um desejo: Feliz Natal! A todos os que me dão a honra de acompanhar minhas reflexões e à suas famílias desejo um Natal muito feliz! Que a alegria da reunião familiar seja alicerce para uma crença sempre mais profunda que é possível um mundo mais humano e justo. Para isso Cristo nasceu! Por isso eu creio Nele! Um grande abraço. Feliz Natal!

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.





