topo
Atibaia/SP
RSS  Twitter  Facebook 

Grupo JC
Acesse também:
Colunas deste autor:


Leia também:
Você está aqui: Home › Colunas › Monsenhor Giovanni
Aumentar fonte Diminuir fonte Imprimir
0
CompartilharTwitter Facebook Orkut
15/05/2017

A igreja e as reformas na política e na economia.

 

 

Volta e meia se percebe, nas intervenções de pessoas e dos meios de comunicação, certa exigência em que a hierarquia da Igreja tome posição em relação a assuntos que envolvem a vivência política, dados da vida econômica, visões sobre o comportamento, etc.  É da essência do Evangelho – e dos que o têm como norma de vida – pautar palavras e comportamentos pela Boa Nova. Mesmo porque a Palavra do Senhor é Vida. E, como diz São Paulo, caminhamos na penumbra da fé para lembrar que ainda não estamos na visão beatífica. Temos que lidar com os desafios que nos envolvem no quotidiano e buscar soluções de vida para nós e para os outros. Além do questionamento à hierarquia de serviço da Igreja, questionam-se também os cristãos leigos e leigas: há que se tomar uma posição, um partido. E não faltam sugestões e pedidos para que os cristãos de fé católica formem um partido (até com o argumento que os cristãos protestantes, apesar de todas as suas divisões, estão cada vez mais presentes na política partidária). Dá-se a impressão que os membros da Igreja precisariam de intervenção quase direcional. O grande perigo desse tipo de pensamento é a substituição da consciência por uma norma derivada de autoridade ou grupo. E isso acarreta a falta de assumir posição, pensar e agir conforme a própria convicção. Minha impressão, em relação a esse tipo de “exigência”, é que o desconhecimento a respeito da Doutrina Social da Igreja continua grande. Creio que muita gente, até com certo saber acadêmico, nunca se aproximou de Documentos do Concílio Vaticano II (tais como “Gaudium et Spes” , “Apostolicam actuositatem”),  de Encíclicas  como “Rerum Novarum”, “Quadragesimo anno”, “Pacem in terris”, Populorum progressio”, “Octogesima adveniens”, Iustitiam et pacem promovere”, “Laborem exercens”, “Sollicitudo rei socialis”, “Centesimus annus”, “Evangelii Gaudium”, “Laudato si”; de muitos pronunciamentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nas coleções “Estudos” e “Documentos”; do Catecismo da Igreja Católica, etc. Se posso sugerir uma leitura palatável e, de certo modo, englobante, aponto o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” das Edições Paulinas. Aí está um bom resumo do pensamento da hierarquia da Igreja sobre a maneira que se deve agir e tomar posição. O conhecimento que nos é oferecido ajuda a entender o porquê de pronunciamentos do Papa, dos bispos e dos sacerdotes em situações como as apresentadas pelas tão faladas necessidades da Reforma Política, da Reforma Trabalhista e da Reforma da Previdência Social em nosso país. Quando da paralização do dia 28 de abril, muitos viram nos pronunciamentos da CNBB um apoio à greve geral. Greve convocada por centrais sindicais, partidos políticos, etc. Na verdade o que a CNBB disse é que o povo tinha direito de se organizar e de se manifestar. A CNBB não tomou partido político. Cumpriu sua missão de convocar as pessoas a olharem as propostas em pauta e apresentar seu modo de ver. Em entrevista recente o arcebispo de Brasília Dom Paulo Sérgio Rocha deixou clara qual a missão da Igreja no que envolve Política e Economia: não tomar para si a missão de substituir as consciências e não ajudar a abrir caminho para “salvadores da pátria”! O desafio que subjaz os pronunciamentos da Igreja é que muitos a querem muda. A crença em Jesus Cristo apresenta exigências de fraternidade, solidariedade, honestidade, amor à verdade, etc. E isso, em nosso tempo, parece coisa a ser banida. Qualquer pronunciamento que chame a atenção em relação a interesses que não se coadunam com a dignidade das pessoas ou que firam as facilidades obtidas por grupos precisam ser caladas! Um caso: foi apresentada uma diretoria de sindicato -  se não me engano no Rio de Janeiro – onde toda uma família desempenhava funções remuneradas com altos salários. Quem vai querer perder uma “boquinha” como essa? O que dizer dos “donos” dos partidos políticos? O que dizer da preocupação com o mundo do dinheiro que só defende seus interesses? Como não chamar a atenção ao crescimento da pobreza, do desemprego? Além de querer que a Igreja se cale (na hierarquia e no laicato) coloca-se em seus pronunciamentos algo que ela não disse! Cabe a quem assume a fé em Jesus Cristo e é Igreja conhecer melhor a voz dos seus pastores.

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


Publicidade
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Seja o primeiro a comentar!
Rodapé