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08/08/2017

Qualquer semelhança...

 


Estamos assistindo os embates entre o presidente da República, seus colaboradores mais próximos e a Câmara dos Deputados. Para ver se ele, presidente, pode ser transformado em réu – por conta da mala recheada de dinheiro – ou a ação não prosperará. Temos acompanhado os esforços da situação e da oposição em contabilizar quem é contra e quem é favorável. E denúncias sobre conchavos, emendas parlamentares que milagrosamente, encontram seus pretendentes, são prato do dia. Manobras para ver quem assume ou não. Enfim um quadro tristíssimo apresentado à Nação que luta para encontrar o caminho da superação. E não deixa de ser extraordinário o poder de continuar andando apesar de todos os entraves e obstáculos. Pensando nisso lembrei-me de um fato apresentado na liturgia da Palavra do domingo que passou: o fim do reinado de Davi e o começo do reinado de Salomão.  As primeiras linhas do Primeiro Livro dos Reis trazem o clima de intrigas, invejas. Entre filhos de Davi havia disputas. Sabendo das pretensões Natã e Betsabéia, mãe de Salomão, vão interferir junto a Davi para que cumpra a promessa feita que Salomão seria o sucessor. O capítulo dois traz a decisão de Davi e a sagração de Salomão. O capítulo três fala da ida de Salomão a Gabaon  para oferecer a Deus um sacrifício no lugar mais alto da região. Na época, não havia templo, e se acreditava que Deus morava nos lugares mais altos. Esta referência aparece muitas vezes no antigo Testamento. E aqui se fixa a ideia central daquilo que proponho. A oração do rei. Salomão tem a experiência espiritual da presença de Deus que lhe fala. O sonho aparece muitas vezes como o lugar da revelação de Deus ao homem. Deus diz a Salomão que lhe peça o que deseja. Este diz: “Tu demonstraste uma grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele caminhou diante de ti na fidelidade, justiça e retidão de coração para contigo... Agora, pois, Javé, meu Deus, constituíste rei a teu servo em lugar de meu pai Davi, mas eu não passo de um jovem, que não sabe comandar... Dá , pois, a teu servo um coração que escuta, para governar o teu povo e para discernir entre o bem e o mal...”.  Diz o texto sagrado que Deus se agradou desta oração e respondeu a Salomão: “ Porque este foi o teu pedido, e já que não me pediste para ter vida longa, nem riqueza, nem a vida dos teus inimigos, mas pediste discernimento para ouvir e julgar... dou-te um coração sábio e inteligente, como ninguém, teve antes de ti e ninguém terá depois de ti. E também o que não pediste, eu te dou: riqueza e glória tais, que não haverá, entre os reis, quem te seja semelhante. E se seguires meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez teu pai Davi, dar-te-ei uma vida longa”.  O relato bíblico sempre vai se referir a Salomão como o rei de maior esplendor e realizações. A lição que se tira deste fato da história de Israel é opção de fé de pedir a Deus a capacidade de ver o que é necessário para a vida do povo e coragem para executa-lo. Diante dos fatos que vivemos hoje, sem dúvida, este deveria ser o pedido para ser feito a Deus por parte de todos os que assumem cargos de serviço e autoridade a favor da sociedade. E se alguém não tiver crença religiosa seria o pedido baseado no valor do ser humano. O discernimento entre o que é bom e o que é mal dá a coordenada para um agir ético. E para que não pensemos só nas esferas mais elevadas, isso serve também para o quotidiano de nossas vida e lugares. Num tempo em que governantes vão até matando (vejamos a Venezuela) para se manter no poder; criando armas cada vez mais devastadoras, há necessidade que se retome a razão do bem comum. A visão personalista, temperada com o senso do antagonismo, está minando as relações. Basta pensar diferente para ser visto como inimigo. E inimigo a gente mata!

Triste sina, se não ficarmos atentos, que nos destruirá!

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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