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05/12/2017

Eis Que Ele Vem!

 


As celebrações natalinas têm, para os cristãos católicos, um momento de expectativa: o Advento. Na pedagogia do sentido e aprofundamento dos momentos fundamentais da vida da Igreja há sempre um convite à reflexão. Parar para pensar naquilo que se vai celebrar, naquilo que se vai “tornar célebre”, que não pode ser jamais esquecido. Os cristãos todos celebram, às vezes com diferenças, o nascimento Daquele que é “a razão de sua esperança” (cf. 1 Pedro 3,15). Essa data marca a presença do Emanuel (Deus conosco). Para a fé cristã é o momento em que Deus se faz carne, se faz pessoa humana. São Paulo dirá que na Encarnação o Filho se desvestiu de sua divindade e se revestiu de nossa humanidade, tornando-se semelhante a nós em tudo, menos no pecado. Para recordar esse acontecimento há um tempo litúrgico de preparação que se chama Advento, espera. A comunidade dos cristãos faz um caminho em preparação à presença do Messias prometido. Vale a pena lembrar algumas pistas que ajudam a viver a preparação para o Natal. Vejamos: As cores dos paramentos utilizados nesta época têm o tom violáceo, rosa e roxo. A cor roxa (e derivados) é uma cor ao mesmo tempo bonita e triste. Seu significado, nesta circunstância, quer lembrar a alegria por Aquele que vai nascer e a preocupação, tristeza, porque Ele ainda não nasceu. Se me permitem é como o sentimento de uma criança na espera de um presente: alegre porque vai ganhá-lo, e triste, esperançoso, porque ainda não o ganhou. Costuma-se ter nas igrejas a Coroa do Advento com quatro velas, cada uma acesa a cada domingo. Recordam o costume judaico de celebrar a vinda da luz à humanidade, dispersa pelo mundo nos quatro pontos cardeais. Vamos recordar o sentido da Coroa como auxílio pedagógico para viver bem este tempo da espera do Senhor: o círculo não tem começo nem fim. Serve para lembrar que o amor de Deus por nós é sem fim. As ramas verdes lembram que, mesmo no inverno, muitas árvores permanecem verdes. Servem para lembrar que nunca devemos perder a esperança. As fitas vermelhas recordam a presença do Espírito em nossas vidas. As quatro velas representam as quatro semanas que antecedem o Natal. Serão acesas uma a uma. Partindo do dia sem luz até quando a Luz do Mundo chegar!  As celebrações e símbolos têm a finalidade de reavivar a Esperança. Virtude que impele a não desanimar diante dos desafios que o quotidiano apresenta. Na história do povo judeu encontramos pistas para balizar nossas atitudes. Como escrito em outras ocasiões, a literatura apocalíptica nos apresenta atitudes de resistência para não perdermos o rumo de nossas vidas. Quando da dominação dos reis de origem grega (entre os séculos II e I antes de Cristo) houve, na comunidade judaica, movimento de oposição às determinações de abandono da fé, dos usos e costumes. Surgiram escritos que, em linguagem simbólica, procuravam encorajar o povo sofrido. Fazia-se a memória dos tantos reinos que tinham oprimido o povo e que tinham sido, afinal, derrotados. Em Daniel 7 encontramos a indicação dos reinos da Babilônia (leão), dos Medos (urso), da Pérsia (leopardo) e do reino atual (um animal terrível e espantoso e extremamente forte: com enormes dentes de ferro... muito diferente dos animais que o haviam precedido...), cuja dominação começa com Alexandre Magno e, naquela época, era personificada por Antíoco IV Epífanes). Esses reinos surgem do mar, lugar do mal na concepção dos escritos bíblicos. Todos eles seriam superados e batidos por um filho do homem que viria nas nuvens (viria do céu). Este rei teria um coração humano. Ao longo do tempo firmou-se a esperança de um rei (Messias) que um dia faria voltar os esplendores dos reinados de Davi e Salomão. Assim o povo leu. Os cristãos viram nessa promessa o anúncio de Jesus Cristo. É ele aquele que vem do céu e com coração de homem redime se povo. O seu reino não será a repetição dos reinos humanos. Ele não será um rei que virá para oprimir. O seu reino será marcado pela doação total. Pela entrega suprema da própria vida. Longe de dominar será aquele que servirá. Sua vida é modelo para ser seguido pelos que nele acreditam. Daí celebrar o Natal é prepará-lo para que sua celebração não se confunda com uma festa qualquer que passa sem deixar marcas comprometedoras. O Natal é a celebração de que o projeto divino da salvação (que todos vivam como filhos e filhas de Deus) continua a caminho, esperando sua realização plena quando Cristo for tudo em todos.

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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