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06/02/2018

Solidariedade. Um bom remédio para a indiferença

O Papa Francisco tem dito e repetido que uma das piores marcas do tempo presente é a indiferença das pessoas diante das realidades opressoras, diante das misérias, da fome. 

E a indiferença incomoda mesmo. Basta lembrar de uma situação que muitos já enfrentaram, como a interrupção de um diálogo porque um, ou mais entre os envolvidos se distancia no pensamento, fazendo pouco do que se está a propor. Basta lembrar de uma outra situação, que muitos também certamente já vivenciaram: você cumprimenta alguém, por qualquer razão, e não é sequer correspondido com um “olá”. 

A indiferença em relação a situações de dificuldade ou que representam a miséria de alguns, ou de muitos (miséria sob qualquer aspecto, social, econômico, cultural), pode ser reflexo de ignorância, de desconhecimento dos reais motivos que estão levando a essas consequências (o sofrimento humano, por exemplo). Pode ser reflexo do desconhecimento do contexto que envolve a situação e as pessoas nela envolvida. 

A indiferença pode ser, também, sinal de insensibilidade, de pouco comprometimento, ou, pior ainda, de assumido descompromisso com as pessoas e com a vida. Situação, a meu sentir, muito mais séria. 

Seja como for, a indiferença mostra-se como uma grande chaga, um grande desafio a ser enfrentado. 

Doutro lado, em sentido absolutamente oposto à indiferença, vem o compromisso. E aqui me refiro ao compromisso com as pessoas, com a vida. Compromisso com maneiras de enfrentamento e superação de situações que colocam pessoas ao abandono, ao sofrimento. Abandono e sofrimento sob qualquer aspecto, afetivo, emocional, material etc. 

Já tive oportunidade de escrever sobre a importância do voluntariado, do trabalho gratuito de gente em favor de outros tantos. É o que vemos em organizações sociais, associações, igrejas e de tantas outras instituições que existem por aí. 

Como forma de enfrentar a indiferença de tantos e de estimular e encorajar as tantas pessoas que, em tantos lugares e de diferentes maneiras, dedicam seu tempo e seus recursos em favor de muitas outras pessoas, ou em favor da natureza e de seus integrantes, volto ao tema voluntariado, gratuita dedicação. 

E o faço saudando e reverenciando os voluntários, aqueles que dão de si e de seu tempo e recursos em favor de uma causa, de um ideal, ou apenas de uma ideia mesmo que aparentemente quixotesca. Você leitor certamente se lembra de alguém, conhecido seu ou de quem você já ouvir falar e que se dedica a esses bons combates. É dessas pessoas a que estou me referindo. E delas que desejo, mais uma vez, lembrar. E as homenageio com esse gesto: a lembrança delas e de suas lutas. 

Quero lembrar daquelas tantas pessoas, que aqui ou bem longe daqui cuidam de doentes, velhos, crianças, de deficientes por qualquer razão, de imigrantes, refugiados. Cuidam da natureza, de animais, biomas de qualquer espécie. Quero lembrar dos que cuidam de resgatar a história de tantas tragédias produzidas pela humanidade, como forma de tentar evitar que elas se repitam. Quero lembrar dos que se dedicam a causas “impossíveis”, como enfrentar o poder econômico que oprime. Quero lembrar daqueles que  enfrentam as mega instituições, que concentram riquezas às custas da miséria de tantos outros, muitas vezes às custas de trabalho escravo, ou pessimamente reconhecido e remunerado. 

Quero lembrar daqueles tantos que, por inspiração de fé, por motivações espirituais, abraçam causas nobres, abrindo mão de projetos pessoais e se arriscando tanto, a saúde e a própria vida. 

Por ora, lembrar deles todos é uma singela maneira que encontro de lhes homenagear, no silêncio deste artigo. Homenageando-os, não importando dizer seus nomes, seus ideais e suas lutas, quero encorajá-los a não desistirem, mesmo enfrentando incompreensões, críticas, ameaças, derrotas. Continuem. Perseverem. Obrigado por existirem, por sonharem, por não serem indiferentes, por se comprometerem, por se dedicarem. Obrigado. 

Homenageio, na saudade, aqueles que tombaram no 

caminho, envolvidos em iguais bons combates. 


Miguel Angelo Brandi Júnior

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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