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14/03/2018

E a quaresma vai passando!

 

Como aceleramos o nosso tempo! Ao olhar as atividades da vida da comunidade pensei como imprimimos um ritmo cada vez mais acelerado em nossas vidas. As possibilidades de fazer muitas coisas em tempo cada vez mais reduzido! É certo que as celebrações da Igreja têm larga tradição, mas surpreende, de vez em quando, a celebração da Páscoa! Dependendo do equinócio da primavera no hemisfério norte ela fica mais perto ou mais longe. Iniciamos, há três semanas o tempo quaresmal. Tempo penitencial que prepara para a festa mais importante e basilar dos cristãos: a Ressurreição de Jesus Cristo! Antiga tradição marca quarenta dias simbólicos entre início da quaresma e da Páscoa. O número 40 tem forte incidência bíblica e significa um tempo especial, largo (não necessariamente interpretado ao pé da letra) onde se vivem experiências radicais; também a experiência de relacionamento profundo com Deus.  Baste lembrar os 40 anos de caminhada dos hebreus pelo deserto (uma grande peregrinação da terra da escravidão para a terra da liberdade – Êxodo 15 e ss.); os 40 dias e noites de Moisés no Horeb (Deuteronômio 9,9ss.); os 40 dias para Nínive ser destruída se não se convertesse (Jonas 3,4); os 40 dias de jejum de Jesus, também no deserto, um tempo largo de experiência com as limitações humanas e as propostas do mal (Lucas 4,2). É verdade que na quaresma salienta o caminho sofrido de Jesus Cristo. É preciso, porém, recuperar o significado principal do chamado à conversão. A escolha dos textos bíblicos que são lidos nas celebrações eucarísticas tem esta tonalidade: chamar a atenção para o estilo de vida dos cristãos. Ao lado disso, aqui no Brasil, faz mais de 50 anos se propõe algum tema que leve a olhar a realidade na ótica de fé. E abra perspectiva de ações concretas que manifestem conversão. É a Campanha da Fraternidade. Neste ano com o tema: “Fraternidade e superação da violência”. Seguindo a metodologia já consagrada nas ações pastorais da Igreja a proposta é colocada na linha do Ver-Julgar e Agir O objetivo geral da campanha é assim proposto: “Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência”. A seguir vêm os objetivos específicos para a ação: 1 – Anunciar a Boa-Nova da fraternidade e da paz, estimulando ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal; 2 – Analisar as múltiplas formas de violência, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas considerando suas causas e consequências na sociedade brasileira; 3 – Identificar o alcance da violência, nas realidades urbana e rural de nosso país, propondo caminhos de superação, a partir do diálogo, da misericórdia e da justiça, em sintonia com o Ensino Social da Igreja; 4 – Valorizar a família e a escola como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e testemunho do amor e do perdão; 5 – Identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas para superação da desigualdade social e da violência; 6 – Estimular as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência; 7 – Apoiar os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organizações da sociedade civil que trabalham para a superação da violência. A Palavra de Deus é a luz para iluminar a realidade. Que a misericórdia e o perdão sejam a forma de concretizar a afirmação de Jesus: “Vós sois todos irmãos!” (Mateus 28,8).  Não tenho dúvida de que esta é uma das campanhas mais desafiadoras: estamos vivendo um clima de justicialismo, de fazer justiça com as próprias mãos. Quando se pede justiça, na maior parte das vezes se pede vingança! Vale uma reflexão a partir da realidade mais próxima de cada um de nós: família, escola, lugar de trabalho, comunidade. Gestos de perdão, paciência, serenidade ajudarão a superar o risco da agressividade que se vê cada vez mais presente em nossos dias!

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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