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03/04/2018

PÁSCOA!

 


Vocês devem estar sempre prontos para dar as razões de sua esperança! (1 Pedro 3,15). Esta afirmação de São Pedro é uma das provocações mais instigantes ao testemunho de vida que a Sagrada Escritura nos apresenta. Pedro chama ao testemunho competente, continuado, entusiasta e cheio de esperança. Podemos imaginar isso no ambiente de perseguição do império romano no qual as comunidades cristãs viviam. Como viver a fé com o olhar mergulhado na esperança se a realidade era de tortura, sofrimento, dor, perseguição e morte? Sem dúvida a razão estava alicerçada Naquele que vencera a tortura da cruz e ressuscitara. Estava vivo. Era Senhor e Vencedor. Essa é a fé que a Igreja sempre proclamou. E que proclama. Fé pela qual a Igreja viveu e vive! Sem a ressurreição, sem a vitória sobre a maldade e todas as suas faces não haveria nenhuma esperança e nenhum sentido em viver (1 Coríntios 15, 12ss.). Por isso é que faz parte da Tradição da Igreja, de sua vida vivida ao longo dos séculos, celebrar a Quaresma e, nela, a Semana Santa. O recordar, o fazer memória dos passos sofridos do Cristo (os Dele inocentes) nos leva a perceber os passos sofridos de todos os seres humanos (os nossos ocasionados por nossos erros ou erros dos outros). As quedas sob a cruz (as Dele por nossa causa) nos recordam nossas quedas (as nossas por nossas fraquezas e limitações). As cusparadas recebidas por Ele recordam as cusparadas que damos ou tomamos (porque Ele só as sofreu). Os xingamentos recebidos por Ele são frutos da ignorância e da ingratidão. Os sofridos por nós (ou dados por nós) acumulam as mesmas causas recheadas dos desejos de vingança, ganância, egoísmo, violência... Houve uma Verônica para aliviar sua dor. Há Verônicas em nossos tempos. Capazes de enfrentar a sanha dos torturadores. Cruz, cravos, coroa de espinhos, nudez.  Marcas do Seu sofrimento.  Marcas que se repetem em nossos dias. Uma sepultura. De outros. Apressada. Igual a de tanta gente sem nome. Tudo isto seria somente uma grande tragédia. Revivida a cada ano. Se não houvesse a certeza da Ressurreição. Nós recordamos o caminhar sofrido do Cristo à luz de sua Vitória. Porque o seu caminho é o nosso caminho. E, se temos certeza que a luz da Vida brilha sobre o aparente absurdo de tantas dores, Nele ressuscitado encontramos a força para não desanimar e caminhar na Missão até as últimas consequências. Páscoa, nós todos sabemos, recorda o caminho de libertação que Deus traça para seu povo escravizado. Porque Deus nos criou livres. Se recordamos a Páscoa histórica de Israel, é porque ela é tipo da nova Páscoa: a libertação do pecado, de seus frutos.  Sabendo que a última palavra sobre a nossa vida é sempre a palavra da Vida que Deus nos dá, vamos encontrando forças no Cristo e na sua Igreja para viver com fidelidade a escolha de sermos cristãos. De termos assumido o compromisso de continuar a missão do Senhor: o anúncio da Boa Nova. A verdade da paternidade divina sobre todos. A afirmação da vontade de Deus para que sejamos filhos e filhas. Um dado da fé que nos empurra a nunca desanimar. A ser capazes de enfrentar as estruturas de destruição da dignidade humana. E a proclamar com toda a força a realeza-serviço do Senhor do Universo. Para que a sua glória seja vista na realização do projeto de Amor de Deus sonhado quando da criação do ser humano à sua imagem e semelhança. A obra da criação continua hoje na luta para restituir a todas as pessoas o rosto brilhante de Deus que é Amor. Um rosto que está desfigurado por tanta maldade e injustiça. Um rosto que devemos limpar. Para essa missão o Senhor nos convoca. E seu apóstolo Pedro nos diz que devemos ser competentes e estar alerta! Vivemos a terceira semana santa sob o pastoreio e ministério do Papa Francisco. Em tempo de primavera no hemisfério norte. Em tempo pascal. Tempo de liberdade e de esperança. Que com ele nós caminhemos para a realização do sonho de Deus e que, seguindo seu exemplo, nos lembremos da missão de todos nós: converter a nós todos, Igreja, para que sejamos portadores da luz do Evangelho a todos os lugares e a todas as pessoas. Que a Páscoa seja Páscoa para todos: dignidade, liberdade, realização. Como Deus sempre quis e continua querendo! Feliz Páscoa!


 

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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