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08/05/2018

CNBB: CONFIVEL?

 


É bom iniciar estas linhas com a definição do que é essa sigla CNBB. Já vi diversas “traduções”! Seu significado é Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A CNBB é um organismo da Igreja Católica. Começou a nascer em meados dos anos 50 por iniciativa de Dom Helder Câmara. Os bispos, à época, se ressentiam de meios para uma ação pastoral de conjunto. De lá para cá a CNBB foi se estruturando e tornou-se excelente meio para que a colegialidade episcopal se tornasse realidade. Ressalte-se que cada bispo tem sua autonomia na diocese a que serve. A unidade dos bispos se caracteriza pela sacramentalidade do ministério recebido e pela unidade com aquele que exerce o mandato dado a Pedro, o Papa. De forma bem simples poderia ser afirmado que o desejo de uma conferência episcopal ajudaria à reflexão sobre a vida da Igreja, em particular, e em sua ação no meio do mundo em sentido abrangente. Fica muito claro que não há nenhuma obrigação da parte dos bispos de assumirem como norma, para a sua diocese, uma decisão da CNBB. Mas vale a pena lembrar que é bom trabalhar junto, pensar junto e descobrir junto caminhos a serem propostos e seguidos. Parece que é melhor errar junto que acertar sozinho! Pelo menos há uma sabedoria no fato de ouvir, conversar e discutir antes de tomar uma decisão! Por que estou escrevendo sobre a CNBB? Porque ultimamente essa entidade tem sofrido ataques quanto à sua honestidade financeira e até sobre posicionamentos tomados sobre a realidade sócio-política do nosso país. Vivemos uma realidade clara a todos: as denúncias recebem dos meios de comunicação letras garrafais e anúncios altissonantes! Os desmentidos, quando publicados, vem em rodapé de páginas, notinhas “erramos” e na menor surdina. Reunidos em Aparecida, em dias passados, os bispos do Brasil realizaram sua 56ª Assembleia Geral. Em mensagem final apontaram a necessidade de superar as polarizações, tão presentes nestes nossos tempos, fizeram um chamado ao diálogo respeitoso. Apontaram a Doutrina Social da Igreja (desconhecida pela maior parte das pessoas!)  como parâmetro de suas ações. Lembraram o exemplo de Jesus na sua escolha preferencial pelos pobres. Recordaram que a Igreja não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. Finalmente recordam que a CNBB, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos. A Assembleia Geral produziu também uma declaração sobre as eleições deste ano. A partir da preocupação com a defesa integral da vida e da dignidade da pessoa humana conclama a sociedade a superar o clima de desesperança em relação à corrupção. Convida a superar a polarização e a radicalização. Convoca cada cidadão a avaliar as propostas e a vida dos candidatos e a identificar o que está por detrás de cada candidatura. Lembra que a finalidade da Política é o Bem Comum! Nós sabemos que nem sempre os posicionamentos de uns são agradáveis a outros. Isso acontece com as instituições também. Também com as orientações da CNBB. O que seria de esperar é que os membros da Igreja não perdessem a capacidade de ouvir, ler, pensar, conversar e buscar caminho de unidade (que não quer dizer uniformidade). Por último uma observação sobre a presença de um bispo e alguns padres no evento que precedeu a prisão do ex-presidente Lula. Nós, ministros ordenados da Igreja, não temos como dissociar o que somos: um padre será sempre padre onde estiver! Não existe essa história de “você é padre na igreja, fora dela é como qualquer homem”! Portanto em qualquer evento, de qualquer caráter, padre e bispo presentes serão sempre vistos como presença da Igreja! Bispo e padres presentes no ato pró-Lula lá estavam em decisão pessoal. Motivada, quem sabe, por visão política ou por amizade. No caso do bispo é sabida de sua proximidade com Lula desde os tempos de sindicalista. Aliás convém não esquecer que o PT foi gestado dentro da Igreja, nas comunidades de base. Todos têm conhecimento que o ideário do PT marcava um direcionamento na superação das desigualdades sociais, na busca de vida digna para todos. Desvios de conduta marcaram dirigentes. A discussão social na busca da verdade criou animosidade e o “nós contra eles”! Numa sociedade capitalista, globalizada, onde o poder econômico prevalece, um discurso que promova os menos favorecidos só encontrará a categoria da esmola e não da promoção social. Não me atrevo no julgar porque bispo e padres estavam lá. Isso só eles podem explicar. Como pessoas e cidadãos tinham direito de lá estar. Quem pensa diferente não estava lá!

Monsenhor Giovanni
pegiovan@uol.com.br

Em janeiro de 1982 foi designado para a Catedral de Bragança onde permaneceu por 26 anos. Em fevereiro de 2008 iniciou sua caminhada junto à comunidade de São João Batista, em Atibaia.


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