
De volta no ar!
Preguiça não é deficiência
Pintando o sete
Sou Mãe, não sou babá
Agora, eu caso!
Mãe natureza!
A sonhada universidade!
Natal Recheado
União perfeita
E agora?A maioria das pessoas tem o costume de subestimar a capacidade das outras. É isso não e diferente com os deficientes, pelo contrario às vezes é muito pior devido suas "limitações". Vou contar pra vocês um dos casos que aconteceu comigo!
Há nove anos atrás resolvi fazer curso de pintura, pois tinha lido que pessoas deficientes pintam com os pés, boca e com graves limitações, porque eu não poderia?. No começo foi difícil, fui discriminada em varias escolas de pintura, pois diziam que devido minhas limitações de movimentos nos braços não executaria a pintura com excelência e necessitaria de mais atenção tomando tempo de outros alunos ou que não saberiam como lidar com minha deficiência. Isso me deixou brava e com mais vontade de aprender, não desisti de procurar uma professora que aceita-se esse desafio comigo, foi então que descobri que a Vera minha vizinha de frente na época era professora de pintura. Eu conversei com ela, e ela aceitou me dar aulas de pintura em tela na casa dela duas vezes na semana.
No começo iniciei com telas pequenas, embora demorasse mais para terminar a obra não encontrei nenhum obstáculo, pelo contrario recebia muitos elogios, e ela sempre me dizia que eu tinha dom para pintura e mão leve. Devido a tantos elogios resolvi aumentar os desafios, pois então comprei uma tela 60x80. Fiquei paralisada quando a Vera colocou a tela no cavalete, eu só alcançava até a metade da tela, pensei meu deus como vou pintar, subitamente virei pra Vera e falei vira a tela de ponta cabeça, ela surpresa me perguntou você vai pintar de ponta cabeça? Respondi, sim, porque não. Isso mesmo que você está pensando pinto metade da tela de ponta cabeça, quem olha nem imagina, pois não parece. Isso é prova que tudo é possível quando se tem força de vontade!
Pintei telas quatro anos, nos quais até fiz quadros sobre encomenda, faturando uma graninha [risos]. Após esses anos resolvi passar á fazer um dia tela e a outra pintura em tecido. Não encontrei nenhuma dificuldade em pintar tecido, pintava pano de prato, toalha e blusas pra família toda e amigos [risos]. No total foi seis anos de aulas de pintura com a Vera, que só foi interrompido com a minha mudança para Atibaia.
Quando me mudei descobri que minha vizinha daqui também era professora de pintura. Retornei a pintar, mas desta vez em madeira e porcelana. Pintar porcelana e algo magnífico, mas requer movimentos leves e concentração. Novamente me sai bem e surpreendi varias pessoas com meus dotes artístico rs. Tive aulas de pintura mais dois anos e tive que para devido ao inicio da faculdade. Foram então no total oito anos de pura arte.
Nas aulas me superei a cada dia e aprendi a ver a vida de um ângulo muito mais interessante, ou digamos até filosófico.
Sabe o que aprendi nesses vários anos de pintura?! Que a vida e como pintar um quadro. Às vezes, damos pinceladas de mestre, usamos a mistura correta das cores e movimentos precisos, outras vezes, borramos tudo e pensamos “Ah! Putz estraguei tudo não tem mais jeito”. E exatamente nessa hora que não devemos nos desesperar, por mais borrado que seu quadro esteja, você sempre pode pintar tudo de branco e começar de novo. A vida é igual, se você disse algo ruim para alguém, fez algo que não deveria, deixou de elogiar, subestimou, ou seja, lá o que for não importa, não perca tempo procure a pessoa e se redima dizendo-lhe apenas que está acertando seu quadro — tenho certeza de que você será compreendido. A única coisa que você não deve fazer é deixar borrões aparecendo nas telas da sua vida. Não interessa quanto antigo ele seja, se estiver lá, corrija-o, é corrigindo que aprendemos a não cometê-los novamente e nós tornamos pessoas cada vez melhores.

Simone Lazzarini é estudante de jornalismo da FAAT, tem 26 anos e é portadora de necessidades especiais.





