
Adão de Deus é este o nome do jovem de 29 anos, que passou 12 dentro da Cracolândia, na dependência química. Como todos ali Adão tem uma história que o levou para as ruas. Depois de perder a família em um acidente automobilístico na cidade de Tietê, no interior de São Paulo, ele relatou que foi buscar nas drogas o remédio para dor e quando se deu conta, já estava dependente e praticando crimes para manter o vício.
Depois de encontrar com Adão, e saber sua história, foi feito um importante desafio para que ele aceitasse o tratamento e reiniciasse um novo projeto de vida. O desespero fez com que este jovem que já fez de tudo na vida, agarrasse apela oportunidade com unhas e dentes. Foi então que entrou um grande parceiro. Rogério Machado da Clínica Atibaia que ofereceu o tratamento.
O primeiro passo já estava dado, o Instituto Ressoar, conseguiu com o apoio da Clínica Atibaia, um tratamento de recuperação de dependentes químicos. A ambulância pronta e lá foi Adão, deixando para trás uma vida de sofrimento e auto destruição.
A ambulância seguiu para Atibaia. Ao deixar a Cracolândia um novo sopro de vida ia surgindo e a cada quilometro percorrido, ficava a certeza de que a disposição de Adão será o principal fator para sua recuperação.
Depois de conhecer o lugar onde vai ficar para se tratar nos próximos meses, Adão passou por uma minuciosa avaliação psiquiátrica para ver seu grau de intoxicação e então definir o melhor método de tratamento. Agora é uma questão de tempo, disposição, dedicação e muita boa vontade. Todos estão fazendo sua parte e para que tudo dê certo, é preciso que Adão faça a dele. O mais importante já foi feito que a iniciativa de procurar ajuda! Nóias, bandidos, trombadinhas, casos perdidos... são estes os nomes que os moradores da Cracolândia costumam receber. Mas que nome você daria, se um desses jovens fosse seu filho?
Durante as duas semanas que acompanhamos diariamente a vida na Cracolândia, pudemos perceber que esta talvez seja a melhor reflexão a ser feita. O crack é um nivelador social e leva para ruas pessoas de todas as classes sociais. Assim como outras doenças, não escolhe suas vítimas e o ato de acender a primeira pedra, pode ser a assinatura da própria sentença de morte. Mas neste período, além de acompanhar de perto a dor alheia, pudemos encontrar dentro da Cracolândia o sorriso esquecido, histórias de vida surpreendentes e finalizamos esta matéria com a certeza de que existe jeito sim para a Cracolândia. Basta acreditar! Principalmente no ser humano! Muita gente tem feito sua parte, faça você também a sua!





