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07/11/2018 s 10:27

Fatos que marcaram a polarizao e o resultado das eleies presidenciais 2018

Rejeio ao petismo venceu

 


O primeiro turno das eleições presidenciais foi marcado por fatores sem precedentes que determinaram a definição do 2º turno. Apontamos na ilustração, alguns deles, acompanhados de resultados de pesquisas, mas que basicamente se resumem em dois pontos cruciais: A candidatura petista e antipetista. 

Partindo do momento do registro das candidaturas em 17 de agosto, tínhamos um líder nas pesquisas, com larga vantagem, embora, de conhecimento de todos, aguardando definição judicial. O candidato Lula não poderia participar da disputa por duas razões: primeiro baseado na lei da ficha limpa e segundo, por estar preso. Em 01 de setembro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nega o registro da candidatura de Lula. 

O fato mais marcante da disputa presidencial foi o atentado a Jair Bolsonaro, em 06 de setembro. O então candidato contava apenas com alguns segundos de tempo na TV, ganhou notoriedade em de 24 horas por dia, todos os dias, em toda mídia nacional. Com toda comoção social, cresce nas pesquisas, chegando a 28% de intenção de votos, em 20 de setembro. 

Em 11 de setembro, o Partido dos Trabalhadores registra a candidatura de Fernando Haddad. O candidato petista inicia uma sucessão de crescimento, em curva ascendente nas pesquisas de intenção de voto, chegando a 22% em 28 de setembro. 


A terceira via não decolou 

Enquanto isso, o esperado voto útil no candidato do centro, com discurso e postura moderada não acontecia. Houve uma piada circulando entre os banqueiros sobre Geraldo Alckmin, o candidato preferido do setor financeiro para se tornar presidente nas eleições de outubro: “Alckmin é o genro que todo pai gostaria de ter, com apenas um problema – as filhas não se apaixonam por ele”. 

A escolha de Jair Bolsonaro por Paulo Guedes ganhou a simpatia do mercado já em meados de maio/junho. E com a não decolagem de um candidato do Centro Democrático, Jair Bolsonaro ganhou a preferência e passou a ser o candidato do mercado. 

Com o baixo desempenho de uma terceira via nas pesquisas, a candidatura de Jair Bolsonaro ganhou impulso nas duas últimas semanas de setembro para uma tentativa de vitória contra o PT, já no primeiro turno. 


O voto útil 

As simulações de segundo turno apontavam neste momento que Bolsonaro perderia para Haddad, Ciro e Alckmin no segundo turno. Ciro Gomes venceria Alckmin, Haddad e Bolsonaro  no segundo turno, enquanto Geraldo Alckmin venceria Haddad e Bolsonaro no segundo turno. Este argumento, baseado nas simulações das pesquisas, números que poderiam favorecer a terceira via: Ciro ou Alckmin e explorados na propaganda eleitoral, ajudou ainda mais no crescimento de Jair Bolsonaro. Eram comuns os comentários nas redes: “Vence no segundo turno, mas precisa chegar lá”, “Sei que ele é melhor, mas não posso correr o risco deixar o PT voltar ao poder”. Alckmin, ao mesmo tempo em que ganhava alguns eleitores de Álvaro Dias e de Amoêdo, tentando evitar a disputa entre Bolsonaro e Haddad, perdia em velocidade muito maior, eleitores para Bolsonaro. Da mesma forma acontecia com eleitores de Ciro que migravam para Haddad. 

A pesquisa do dia 28 de setembro foi o ponto determinante para a consolidação da polarização. A diferença entre os candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad chegou apenas a 6%, com 28% e 22% respectivamente. Os candidatos ditos “terceira via” continuavam muito distantes: Ciro com 11% e Alckmin com 10%. 

Com sua rejeição em 44%, o dia 29 de setembro foi marcado pelas manifestações #elenão contra o candidato Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, no dia 30 de setembro, simpatizantes do candidato promoveram manifestações pró-Bolsonaro.

Dia 1º de outubro foi divulgada a delação do ex-ministro Antonio Palocci. As declarações caíram como uma bomba na campanha petista. 

Somado a delação com a identificação de grupos de esquerda nas manifestações #elenão, o  resultado foi contrário do espero pelos manifestantes: Jair Bolsonaro cresceu 4% nas pesquisas e Haddad estacionou, oscilando 1% negativamente e sua rejeição explodiu, passando de 32% para 41% pós-delação Palocci.  Neste momento da polarização, falou mais alto o antipetismo, o #PTnão com o sentimento nas redes: “Ele não é o candidato dos meus sonhos, não compartilho de muitas de suas idéias, mas é a única chance de tirar o PT”,  “Antes do progresso precisamos de ordem”, “Eu lutei por muitos anos contra o PT. Fui para as ruas contra Dilma e agora não seria justo deixar o PT voltar”, “Vejo muitas pessoas inteligentes votando nele, como empresários, médicos e advogados, acho que não é tão ruim assim. Muita coisa deve ser fake news”. Assim se formou o segundo turno, com os dois candidatos mais rejeitados da disputa: Bolsonaro com 44% e Haddad com 41% de rejeição, segundo o Datafolha. 

As últimas pesquisas quantitativas no primeiro turno, tanto Datafolha, quanto Ibope revelavam que aproximadamente 30% dos eleitores estavam deixando de votar em candidatos de sua preferência pelo voto útil. Ora, mas o voto útil foi para os dois candidatos melhores posicionados na pesquisa e também os mais rejeitados. Tratava-se de votos de rejeição a alguém. E quem era o candidato antipetista na visão do eleitor? Sim, Bolsonaro. 



O que poderia mudar a definição dos nomes do 2º turno?

Sem dúvida, 2018 foi uma eleição com muitos pontos fora da curva. É preciso um estudo aprofundado para entender as reações dos eleitores durante o processo. As peças publicitárias testadas e aprovadas início da campanha, não surtiam mais efeito pós-atentado. O candidato Jair Bolsonaro, o preferido dos adversários a ser desconstruído, passou de uma condição de vilão à vítima. “Mas foi ele quem levou a facada. Ele é a vítima” era o sentimento que dominava as redes sociais com o amparo e afirmação de milhões de seguidores já convertidos anteriormente ao início da campanha, e que a cada pesquisa, era visível a consolidação de seus votos. 

As pesquisas quantitativas nos mostram uma fotografia do momento com os índices e análises estatísticas. No caso da qualitativa, é o estudo de sentimentos e atributos de fatos conhecidos do passado e do presente, positivos e negativos, expostos de forma espontânea, e em alguns casos, possíveis cenários com estímulo. Para entender alguns erros estratégicos é preciso cruzamentos de vários dados, um deles é saber quais cenários foram testados em grupos focais. O roteiro foi assertivo no cenário?  Como saber da reação de um possível cenário sem testá-lo? 

A aposta da campanha de Geraldo Alckmin, por exemplo, era de que com o crescimento do petista Fernando Haddad e a alta rejeição de Bolsonaro, a única alternativa seria a terceira via. Testaram este cenário? Qual seria o sentimento do eleitor com a aproximação de Haddad à Bolsonaro? Com essa hipótese no momento, qual seria a reação do eleitor? Quais seriam suas motivações de voto diante deste cenário? 

O roteiro assertivo é essencial. Não adianta, a análise ser perfeita, mas se o cenário em estudo não condiz com a realidade, a análise será incapaz de traduzir o real sentimento do eleitor. É preciso saber como eleitor enxerga o mundo. Muitas vezes é difícil extrair essa informação de forma espontânea, mas é preciso estímulo, pois ele precisa se ver na situação para dizer qual decisão tomaria.

Para iniciar uma campanha de forma sintonizada com o eleitor, o ideal é fazer uma pesquisa qualitativa, a cada seis meses, antes da campanha eleitoral. Acompanhar seu comportamento e suas mudanças no decorrer do tempo, ajuda a obter vantagens competitivas e posicionamento adequado. De forma simples: “Falar o que o eleitor quer ouvir”, “Este candidato pensa como a gente”.



2º turno do medo

Nenhum fato novo aconteceu na disputa de segundo turno, uma polarização normal, com uma dose extra de medo: medo do PT e medo do autoritarismo. Jair Bolsonaro saiu na frente, na primeira pesquisa de segundo turno e chegou a abrir vantagem de 19%. O candidato petista, Fernando Haddad diminuiu a vantagem, ganhando adeptos até de antipetistas, mas não conseguiu reverter a diferença. 

No último levantamento do Datafolha, Bolsonaro conquistou 55% das intenções de voto e Haddad 45%. No potencial de voto, 46% disseram que votariam com certeza em  Bolsonaro, 8% poderiam votar nele para presidente  e 45%  não votariam nele de jeito nenhum.  Já o candidato Fernando Haddad: 38% votariam nele com certeza para presidente, 9% poderiam votar e 52% não votariam nele de jeito nenhum.  O primeiro com potencial de voto de 54% e rejeição de 45%, o segundo com 47% de potencial de voto e 52% de rejeição. O antipetismo venceu. Jair Bolsonaro venceu. 


Eliane Dias Pires 

Economista, MBA em Marketing pela FGV

Diretora do Instituto Universo Pesquisa e Eventos, Especialista em pesquisas

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