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18/01/2012

União perfeita

Nas férias nada melhor que traçar um roteiro incrível e divertido para passear. Mas para nos deficientes, a tarefa é mais difícil, nem todos os lugares têm acessibilidade. Há três anos, eu e minha família tiramos dez dias de férias, que imaginávamos que seria  recheado de muita história e cultura. O roteiro traçado foi  a  Estrada Real – se localiza em MG, um trajeto que foi construído nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e alguns capítulos da história de nosso País. 

 

A primeira cidade de parada foi São João Del Rei. Para minha supressa era toda acessível para portadores de necessidades especiais. Andei a pé na cidade toda, conheci as igrejas entre outros lugares. É uma cidade graciosa, ao caminhar nas ruas e entrar nas igrejas eu viaja para o passado. Mesmo com a adaptação realizada nos patrimônios, eles não perderam em nada sua história, marcada em cada característica. Pude reviver o passado. 

 

Infelizmente nas  cidades de Tiradentes, Ouro Preto, Mariana, São Thomé das Letras e Congonhas não era acessível na época, não sei se estão hoje. Eu e minha família tivemos que optar por conhecer a cidades de carros. Não havia como  andar nas ruas e as poucas igrejas que conheci nessas cidades, tive que ser carregada por meus pais. Foi frustrante pra mim, me perguntava os motivos. O fato de serem tombados não é uma justificativa plausível, afinal,  eles possuem iluminação, banheiros dentro dos padrões de hoje, outra fiação, piso, azulejo entre outras adaptações para o mundo moderno, que não resgatam necessariamente suas característica de séculos atrás. Então o porque não possuem acessibilidade? Afinal, patrimônios históricos tombados podem ou não serem adaptados para portadores de necessidade especiais?. Fui em busca de respostas. E garanto que sim, eles podem.

 

Os patrimônios históricos também têm de ser acessíveis, pois as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida têm direito a cultura e ao lazer. Porém, existem regras especificas a se seguir. É  necessária a aprovação pelo IPHAN, CONDEPHAT e outros órgãos que cuidem da preservação desses patrimônios. O decreto 5296/04 prevê a solução técnica que pode ser feita, por exemplo, através de um elevador para cadeira de rodas, que sobe em qualquer tipo de escada (conhecido como lagarta), ou elevadores externos que não descaracterizem o prédio. Entre outras adaptações. 

 

Metaforicamente falando, está na hora de inclusão também se transformar em patrimônio da humanidade. Pois garantindo sua existência, não haverá desigualdade.  

 

Tenho certeza que para mim e para milhões de deficientes a adaptação de patrimônios históricos é uma conquista com um gosto especial. Gosto de arte. Eu, como jornalista tenho fome por cultura, historia, ou seja, conhecimento. Afinal, estando ou não sobre uma cadeira de roda, sou cidadã e quero que o meu direito seja garantido. Inclusão não cultura já!

Simone Lazzarini
simonelazzarinijc@gmail.com

Simone Lazzarini é estudante de jornalismo da FAAT, tem 26 anos e é portadora de necessidades especiais.

 

 


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